REPORTAGEM
27/07/2018    Por João Felipe Cândido
O midas da televisão brasileira
A história do empresário e maior apresentador da televisão brasileira, Silvio Santos, que, aos 87 anos, ainda é fonte de inspiração para milhares de pessoas
foto: Lourival Ribeiro/SBT

Sagas de brasileiros que saíram do nada e conseguiram construir um império costumam despertar a atenção. Afinal, que caminho seguiram? Que lições do que fazer e do que não fazer podem nos dar? Existe uma fórmula para alcançar o sucesso? Exemplos de pessoas bem-sucedidas no Brasil não faltam. Luiza Helena Trajano, que comanda a gigante rede varejista Magazine Luiza, com mais de setecentas lojas espalhadas pelo País, por exemplo, começou a trabalhar como balconista aos 12 anos de idade na loja criada por seus tios. Rolim Amaro transformou a Transportes Aéreos Marília - TAM na maior companhia aérea brasileira, atual Latam. Para conseguir o almejado brevê de piloto de avião, trabalhou como mecânico de automóveis, limpou aeronaves e foi taxista. Outra história muito interessante é a do empresário Eloi de Oliveira, fundador do Grupo Flytour, com sede em Alphaville. O ex-menino de rua criou uma marca especializada em turismo que faturou 2,7 bilhões de reais somente no primeiro semestre do ano passado.           

Diante desses e de tantos outros modelos de brasileiros com histórias de vida inspiradoras, certamente a que mais chama a atenção é a trajetória de Silvio Santos, ex-camelô que se tornou um dos apresentadores e empresários mais bem-sucedidos do Brasil e exemplo de êxito para milhares de pessoas. Do conglomerado construído ao longo de décadas pelo empreendedor constam dezenas de empresas, entre emissoras de TV, marcas de cosméticos, resort no litoral, e financeiras, responsáveis pelo patrimônio que o incluiu, mais de uma vez, na seleta lista de bilionários da revista Forbes.

A TRAJETÓRIA DO MITO
Filho mais velho de imigrantes, do grego Alberto Abravanel e da turca Rebeca Abravanel, Senor Abravanel, seu nome de batismo, nasceu no bairro da Lapa, no Rio de Janeiro, em 12 de dezembro de 1930. Com 14 anos de idade começou a trabalhar como vendedor de rua e não parou mais. Seu incrível feeling para os negócios pode ser observado no depoimento a seguir: “No carnaval, eu vendia cervejas, refrigerantes, lança-perfumes, confete, serpentina e sanduíches. Quando era época de São João, montava barracas no centro da cidade e vendia fogos de artifício. Na Páscoa, chocolates, coelhos etc. No dia sete de setembro, havia parada, desfile nas ruas, e eu vendia caixotes velhos. A multidão se acotovelava nas calçadas para assistir ao desfile, e aqueles que ficavam nas fileiras de trás muitas vezes não conseguiam ver o espetáculo. Então compravam os meus caixotes, subiam neles e, estando mais altos, tinham uma visão privilegiada”, destacou o apresentador em depoimento para o livro 50 Anos de TV no Brasil, organizado por J.B. de Oliveira Sobrinho, o Boni (Editora Globo).

Ainda na adolescência, Silvio vendia dezenas de artigos como carteiras, bijuterias, brinquedos, canetas, entre outros, pelas ruas da cidade. Por azar (ou sorte) do destino, um fiscal da prefeitura do Rio de Janeiro que prendia camelôs levou-o para a delegacia; no entanto, ao perceber a capacidade de comunicação do adolescente, preferiu ajudá-lo e lhe entregou um cartão com o contato de um amigo que trabalhava na Rádio Guanabara. Silvio foi até a rádio e participou de um teste para locutor. Chico Anysio também estava entre os inscritos. Abravanel acabou sendo aprovado e, a partir desse momento, sua vida nunca mais seria a mesma. Paralelamente ao universo da comunicação, Silvio jamais deixou de lado o seu talento nato para criar e fazer bons negócios.

SURGIA O MAIOR COMUNICADOR DO BRASIL
Antes de chegar à televisão, Silvio teve passagens por rádios do Rio de Janeiro e São Paulo. “O esforço e a tenacidade valem tudo na vida. Se eu tivesse me acomodado, certamente ainda seria hoje um simples camelô”, declarou à Revista do Rádio, em 23 de outubro de 1965. Suas primeiras apresentações em público foram no circo em que trabalhava como animador na Capital. Em 1962, estreava seu primeiro programa, o Vamos Brincar de Forca, na TV Paulista. Ao longo de mais de cinco décadas, apresentou mais de cem deles. “Prêmios, brincadeiras e melodias se reúnem nesse programa, que terá a duração de duas horas”, dizia o jornal Folha de S.Paulo em dois de junho de 1963, no dia da estreia do Programa Silvio Santos. Em 1993, entrava para o Guinness Book, o livro dos recordes, como a atração mais duradoura da televisão brasileira, que, na época, completava 31 anos no ar. Inúmeras vezes, Silvio chegou a permanecer mais de dez horas ao vivo. No programa, marcaram presença figuras emblemáticas como o locutor Lombardi e o produtor Roque.

Em 1981, fundou a TVS, mais tarde renomeada como SBT-Sistema Brasileiro de Televisão. “Eu não nasci dono de televisão. Eu ‘fui’ dono de televisão porque os donos de televisão fecharam as portas para mim. Quando se fecha uma porta, Deus abre uma janela. Fui obrigado a ser dono de televisão”. Seu carisma e estilo inconfundível, marcado por bordões como “Quem quer dinheiro”, “Quem é que eu vou chamar?”, “Ai ai ai ui ui”, “É dinheiro ou não é?”, ultrapassaram gerações e são facilmente reconhecidos até hoje pelas crianças. “Silvio Santos sempre foi uma grande inspiração em minha vida, tanto profissional como ser humano. Sou agradecidíssimo a Deus por ter convivido por 35 anos com esse gênio da comunicação”, ressalta o apresentador Gugu Liberato, morador de Aldeia da Serra.

CURIOSIDADES SOBRE SILVIO SANTOS CURIOSIDADES SOBRE SILVIO SANTOS
O site do SBT apurou, com pessoas próximas ao apresentador, algumas curiosidades sobre a sua vida. Abaixo, compartilhamos algumas delas.
Prato favorito: come de tudo, mas ama sorvete
Doce preferido: panetone, chocolate e Nhá Benta estão entre os favoritos
Música predileta: Eu sei que vou te amar
Cantores de predileção: Roberto Carlos e Julio Iglesias
Livro preferido: biografias em geral
Viagem inesquecível: África do Sul
Roupa do dia a dia: camisa de manga curta, com bolso na frente, com calça ou bermuda
Manias: gosta de manter uma rotina e é muito disciplinado e pontual. Acorda às cinco horas da manhã, faz exercícios, cuida da alimentação e segue para o trabalho. Vai dormir sempre às dez e meia
Computador: além de ler e mandar e-mails, adora se divertir com joguinhos
Cor favorita: ama tudo bem alegre e colorido
Canhoto ou destro? Destro
Quando não está trabalhando… gosta de assistir a filmes e ficar com a família
Quando Silvio estava na escola… sua matéria favorita era Matemática.
Jornais, revistas…  lê o jornal Folha de S.Paulo todos os dias e a revista Veja aos fins de semana, além de ser ouvinte fiel da Jovem Pan AM
O domingo de Silvio Santos trabalha e mantém sua rotina normal. Faz exercícios matinais e depois vai ao Jassa (salão de cabeleireiro que frequenta). Se está de folga em casa, adora passar horas na mesa do café-da-manhã com a família. Assiste a filmes, brinca com os cachorros e se diverte com jogos no computador

foto: Divulgação / SBT

FRASES MARCANTES DE SILVIO SANTOS PARA VOCÊ SE INSPIRAR
Há muitos anos, o empresário e comunicador poderia ter se dado ao luxo de se aposentar e usufruir o que a vida pode oferecer de melhor, no entanto, optou por continuar trabalhando. Hoje, aos 87 anos, segue à frente do Programa Silvio Santos, exibido aos domingos pelo SBT. É casado com a autora de novelas Íris Abravanel e pai de seis filhas: Cíntia, Silvia, Daniela, Patricia, Rebeca e Renata. Escolhemos algumas frases lendárias do homem que se tornou símbolo de sucesso expressas em seus programas, eventos do SBT e raras entrevistas.

"Se eu tivesse vinte anos e recebesse quinhentos mil reais, abriria qualquer negócio cujo principal foco fosse vendas, afinal sou vendedor desde os 14 anos de idade.

Se você administrar bem a sua empresa, com os pés no chão, se fizer aquilo o que a sua intuição manda, e usar bom senso, deixando de lado a vaidade, tem todas as possibilidades de conseguir o seu objetivo.

Só não chega ao objetivo quem pretende dar o passo maior que a perna, quem acredita que as coisas são fáceis. Todas as coisas são difíceis e têm que ser lutadas.

Eu não dou entrevistas, porque me perguntam: ‘como você conseguiu esse resultado?’. Eu não sei. Nunca esteve nos meus planos conseguir esse resultado.

O público dificilmente vai deixar a Globo. A Globo é um muro e ultrapassar este muro só conseguimos de vez em quando. Lutar contra a Globo é impossível.

Não me arrependo de nada. Eu posso dizer que não levei a vida, a vida é que me levou.

Eu nunca fiz planos. Até virei candidato à Presidência da República (1989) sem premeditar. Adoro trabalhar.

Qual é o ser humano que vai progredir se não recebe estímulo?

Em todos os anos, quando se fecha o balanço, eu nem me preocupo com quantos zeros a balança vai apresentar. Eu me preocupo com a continuação da empresa.

Ganha dinheiro quem reservar dez por cento para inspiração e noventa por cento para transpiração.

Eu dirijo meu trabalho, o meu trabalho não me dirige.

Quando você consegue uma coisa fácil, desconfie. Porque ela não é tão fácil quanto parece.

O dinheiro para mim, representa apenas troféu de sucesso e de vitória.

Eu confio muito no meu feeling. Noventa ou noventa e cinco por cento das decisões que eu tomo, graças à minha intuição, costumam dar certo.

Maiores lucros significam maiores impostos e estes revertem em benefícios de todos. Entretanto, a situação dos que trabalham em minhas empresas me preocupa tanto quanto os resultados financeiros, pois um elemento bem assistido, física ou psicologicamente, rende mais para a empresa, tem mais satisfação em trabalhar nela. Dessa forma, a empresa tende a ganhar eficiência na área de ação daquele empregado. E isso representa maiores vendas, maior produtividade e maiores lucros, reinvestidos no crescimento da empresa. Em última análise, esse crescimento produz mais empregos."

foto: Lourival Ribeiro/SBT

“O poder de comunicação de Silvio Santos mudou a minha vida”
Fernando Morgado, autor da biografia não autorizada do maior astro da televisão brasileira, conta como foi o processo de produção do livro. O escritor caiu nas graças do apresentador e recebeu apoio e divulgação espontânea da obra, que chega à sua quinta edição

Muitas vezes a vida nos prega peças que renderiam um inusitado roteiro de filme. No começo do ano passado, enquanto estava a caminho do trabalho, o celular de Fernando Morgado começou a receber inúmeras ligações. As mensagens também não paravam de chegar em seu WhatsApp e redes sociais. Seu recém-lançado livro Silvio Santos: A Trajetória do Mito (Matrix Editora), havia sido anunciado no intervalo comercial do SBT com os dizeres: “A Trajetória do Mito vem aí. Aguardem”. No primeiro momento, Morgado pensou que poderia ser uma espécie de “pegadinha”, algo de que Silvio Santos entende como ninguém. Mas não era. O dono da emissora dava o aval para que a obra fosse promovida durante meses na grade da emissora. Por saber que Silvio é avesso a qualquer tipo de entrevista, Fernando decidiu escrever a biografia não autorizada sem consultar pessoas que tivessem algum tipo de ligação com o apresentador. “Até o instante em que entreguei os textos originais para o Paulo Tadeu, publisher da Matrix Editora, apenas meus pais e minha irmã sabiam do que se tratava. Tanto segredo acabou sendo positivo para o projeto, que pegou de surpresa o mercado editorial, a mídia em geral e o próprio Silvio”, pondera.

Fernando Morgado mora no Rio de Janeiro. É professor, consultor, palestrante e escritor nas áreas de marketing, inteligência de mercado e comunicação. Possui nove livros no currículo, incluindo o best-seller Blota Jr.: a elegância no ar (Matrix Editora). Atuou na área de inteligência de mercado do Sistema Globo de Rádio, é mestre em Gestão da Economia Criativa, especialista em Gestão Empresarial e Marketing e graduado em Design com habilitação em Comunicação Visual e Ênfase em Marketing pela ESPM. Morgado concedeu à Viva S/A, por e-mail, a entrevista a seguir:

Seu livro Silvio Santos - A Trajetória do Mito foi uma produção não autorizada. O que o motivou a escrever a obra?
Como pesquisador e professor de mercado e história da televisão, sempre tive especial interesse pelos apresentadores. Ao analisar a carreira de vários deles, concluí que, para ter sucesso nessa função, não basta ser versátil ou expressar-se bem, é preciso ter um forte sentido de liderança. Afinal, o apresentador é referência para a equipe de produção, para os anunciantes e para o público. De todos os apresentadores brasileiros, nenhum tem esse sentido de liderança tão forte quanto o Silvio Santos, o que ajuda a explicar o sucesso que ele alcançou tanto como artista quanto como empresário. Contar essa trajetória, tão rica e complexa, sempre foi um desejo meu. Além disso, não se lançava uma obra sobre o Silvio já há quase duas décadas. Ou seja, havia espaço no mercado para um trabalho que contasse a história dele por meio de um formato diferenciado e que fosse escrito com a independência de alguém que nunca teve qualquer envolvimento pessoal ou profissional com o Silvio

Em algum momento, o senhor cogitou tentar entrevistá-lo, mesmo diante de sua decisão de não conceder entrevistas?
Eu havia tentado entrevistá-lo quando escrevi meu primeiro livro biográfico, sobre o apresentador Blota Jr. Silvio é fã declarado do Blota, com quem chegou a trabalhar na Record e no próprio SBT. Infelizmente, assim como a maioria esmagadora dos jornalistas, não consegui ter contato com ele na época. Depois dessa experiência frustrada, resolvi que não o procuraria mais e, respaldado pela decisão do STF, decidi escrever a biografia sem pedir sua autorização. Para me resguardar ao máximo, trabalhei sob o mais absoluto sigilo.

Caso ele lhe concedesse entrevista, que pergunta não deixaria de fazer?
Eu perguntaria: - Quais os atributos que o senhor considera imprescindíveis para um bom profissional de televisão?

Das mais de 360 frases ditas por Silvio Santos em entrevistas antigas e que foram mencionadas em seu livro, qual delas mais chamou a sua atenção e por quê?
É difícil apontar uma só, pois a franqueza do Silvio sempre gera frases surpreendentes. Mas posso dizer que as que mais me chamaram atenção foram aquelas relacionadas com a forma como ele enxerga o mercado de televisão e sobre os planos que Silvio tinha para o Brasil, caso se elegesse presidente da República.

Silvio Santos foi de camelô a banqueiro. É verdade que seu encontro com o universo do empreendedorismo começou ainda na escola?
Ele conta que, ainda garoto, vendia doces no recreio para os colegas. Com o dinheiro que ganhava, comprava mais doces. Essa vocação para os negócios é uma marca presente em todas as etapas da sua vida. Ele próprio já se definiu como sendo mais comerciante do que artista.

Em todos os capítulos de seu livro o senhor cita Manuel de Nóbrega, pai de Carlos Alberto de Nóbrega. Qual foi a importância dele na vida de Silvio Santos?
A importância dele é imensa. Mais que mentor, ele foi um verdadeiro pai para Silvio. Manuel abriu as portas de sua casa para Silvio, que, recém-chegado do Rio de Janeiro, vivia só na Capital paulista. Foi Manuel também quem deu as primeiras grandes oportunidades para Silvio no rádio e na TV de São Paulo. Além disso, Nóbrega confiou a Silvio o comando do Baú da Felicidade, empresa que se tornou a semente do Grupo Silvio Santos. Toda essa cumplicidade fez brotar um profundo sentimento de gratidão que Silvio faz questão de cultivar e manifestar publicamente até hoje.

Conte-nos algo sobre Silvio Santos que pouca gente conhece e cite algumas das curiosidades que mais o marcaram durante o processo de pesquisa do livro.
Poucos brasileiros têm noção do que a carreira televisiva do Silvio Santos representa em termos internacionais, e fiz questão de reforçar esse aspecto no meu livro. Em 2018, o Programa Silvio Santos completou 55 anos. Trata-se de um recorde mundial. O programa que se aproximaria dessa marca seria o Sábado Gigante, mas ele acabou em 2015, após 53 anos no ar. Além disso, Silvio se especializou em permanecer longas horas no vídeo. Sua maratona dominical chegou a durar mais de dez horas ao vivo, sem falar que ele animava outros programas durante a semana. Um deles, o Cidade contra a cidade, varava a madrugada. Silvio sempre apresentou, produziu e patrocinou as suas próprias atrações. Delas, fez nascer uma das maiores redes de TV aberta da América Latina. Nenhum outro comunicador foi tão longe em termos cronológicos ou empresariais, nem mesmo Merv Griffin, Oprah Winfrey ou qualquer outro medalhão estadunidense.

Desde muito cedo Silvio Santos sempre priorizou o trabalho. Por meio de suas pesquisas, é possível dizer se ele foi um pai presente para sua família?
O Silvio Santos já disse que ‘o trabalho é a coisa mais importante para o ser humano’. Considerando todas as atividades que desempenhou ao longo de décadas na TV, no rádio e nas suas dezenas de empresas, não se pode afirmar que ele tenha sido um pai tão presente quanto gostaria. Apesar disso, é notório o carinho que a família Abravanel sente por ele. Nela, todos o enxergam como uma referência, um exemplo a ser seguido.

O que move Silvio Santos a continuar à frente da apresentação de programas do alto de seus 87 anos de vida?
No livro, digo que a televisão é tudo para Silvio. É seu trabalho e, principalmente, sua maior diversão. E é justamente essa diversão que o move a permanecer no ar. Isso é nítido na tela e, para mim, ficou ainda mais claro quando pude participar do programa e vê-lo entre as suas ‘colegas de trabalho’.

Seu livro teve apoio e divulgação espontânea exibida pelo SBT . Esse episódio colaborou com as vendas?
Sem dúvida. Foi o próprio Silvio quem redigiu os comerciais que o SBT exibiu incessantemente ao longo de seis meses. Durante um mês, as propagandas foram ao ar em todos os intervalos da programação para as mais de cem emissoras da rede. A noite de lançamento do livro também contou com a divulgação do SBT. Foram mais de quatro horas de evento, que só acabou quando o shopping já estava com as portas fechadas. Carlos Alberto de Nóbrega e Ratinho fizeram menções muito generosas, equipes de jornalismo de várias praças realizaram matérias comigo e fui entrevistado pelo Danilo Gentili no The Noite, com excelente repercussão. Nenhum outro livro brasileiro contou com tanta divulgação durante o ano de 2017. Tudo isso, claro, colaborou muito para as vendas. O livro teve cinco edições lançadas em apenas dois meses e movimentou todo o mercado editorial, mesmo diante do cenário de crise. Além disso, meu trabalho como consultor de empresas de mídia, professor e palestrante teve grande impulso. Mas, além de qualquer cifra, o grande presente que recebi foi ver que a obra tem ajudado a formar novos leitores. Não esqueço, por exemplo, da mensagem que li de um azulejista: ‘Nunca comprei um livro pra ler. Esse vai ser o primeiro’.

No ano passado o senhor teve a oportunidade de ser convidado para conhecer Silvio Santos pessoalmente. Como foi a experiência do encontro?
Pouca gente sabe dos bastidores desse encontro. Algumas semanas depois de o meu livro ter chegado às lojas, ele já figurava em diversas listas de mais vendidos, incluindo a da Veja, foi manchete de capa da Folha de S. Paulo e mereceu reportagens de página inteira em vários jornais, sem falar da maciça divulgação gratuita feita pelo SBT. Com tudo isso, a minha rotina de professor universitário foi rapidamente transformada. Passei a ser abordado nas ruas por todo tipo de gente que vinha me cumprimentar pelo livro. Tudo isso me fez sentir um enorme desejo de agradecer ao Silvio pelo apoio que deu ao meu trabalho, mesmo sem nunca ter me visto pessoalmente. Resolvi, então, mandar uma carta para ele. Nela, escrevi uma frase que até hoje me emociona, ‘o seu poder de comunicação mudou a minha vida’, e fiz um único pedido: ter a chance de apertar sua mão e lhe dizer muito obrigado. Silvio respondeu a mensagem durante o programa de 28 de maio de 2017, quando fez uma longuíssima propaganda do meu livro e disse que eu poderia encontrá-lo. E assim aconteceu. A primeira vez que nos vimos foi ainda na coxia. Ele chegou perguntando: “Onde está o meu biógrafo?”. Após nos cumprimentarmos, ele fez algo que eu jamais esperaria: pediu para tirar uma foto comigo! Depois, já no auditório, ele me entrevistou. Foi uma experiência muito especial.

O senhor é estudioso do universo da televisão mundial. Com o avanço da internet, YouTube e Netflix , por exemplo, como será a televisão do futuro?
É difícil prever o futuro de um mercado tão dinâmico quanto o de televisão. Contudo, o presente já indica alguns caminhos. A chamada televisão linear, ou seja, aquela baseada em grades de programação, tende a ser cada vez mais ao vivo, baseada em jornalismo e programas de variedades. Nesse contexto, abrem-se novos e maiores espaços para o conteúdo local. Ao mesmo tempo, os programas gravados ganham nova força por intermédio dos serviços sob demanda, o chamado VoD, como Netflix, por exemplo. As telenovelas merecem uma análise à parte, pois, apesar de serem gravadas, ainda atraem uma parcela expressiva do público latino no exato momento em que são exibidas pela primeira vez. É uma questão cultural. Mas, seja qual for o cenário, uma coisa é certa: assim como o teatro, o jornal, a revista, o cinema e o rádio, a televisão não morrerá. A TV do futuro certamente será diferente da TV de hoje, assim como a de hoje é diferente da de trinta anos atrás. Mudar não quer dizer acabar, muito pelo contrário. Mudar é justamente o único remédio que garante a longevidade de qualquer mercado.

Por qual razão Silvio Santos ainda inspira tanta gente?
Ao longo de sete décadas de trabalho, ele conseguiu manter-se como ícone da cultura popular e, ao mesmo tempo, empresário de sucesso. Saber conciliar o sorriso do palco com a seriedade dos negócios é algo que nunca deixa de impressionar. Não foi à toa que o chamei de mito.

Além da biografia de Silvio Santos, o senhor escreveu a biografia de Blota Júnior. Pretende escrever mais livros?
Pode antecipar alguma novidade? Ao todo, tenho nove livros no currículo, sendo quatro como autor e os demais como coautor e colaborador. Pretendo publicar novos trabalhos e já estou pensando em um lançamento para breve.

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