REPORTAGEM
27/03/2018    Por João Felipe Cândido
Dr. Barakat - Desperte um novo estilo de vida
Conheça o médico que ficou famoso nas redes sociais por compartilhar os seus ensinamentos sobre qualidade de vida. Com mais de três décadasde atuação no campo da saúde, hoje está à frente de um instituto de medicina integrativa, em São Paulo, na qual atende pessoas de todo o Brasil e exterior, inclusive celebridades
foto: Gabriela Rossa Drewes

No panteão dos influenciadores digitais brasileiros, que atraem legiões de seguidores, figura um médico que tem se destacado como nenhum outro profissional da saúde. Diariamente, o libanês Mohamad Barakat (mas pode chamá-lo de Doutor Barakat) faz questão de compartilhar o seu dia a dia nas redes sociais. Tudo começou de maneira despretensiosa e espontânea há cerca de quatro anos. Sua intenção era propagar conteúdos relacionados à saúde. Seus famosos bordões “gratidão universo” e “constelação” tornaram-se sua marca registrada e costumam ser os termos que mais escuta do público nas ruas.

Suas contas no Instagram e Facebook ultrapassam a marca de um milhão de seguidores. Hoje, grande parte de seu conteúdo é dividido entre os detalhes de sua rotina, desde o café da manhã, almoço e jantar (quando não está em jejum). Dr. Barakat costuma dar expediente em seu luxuoso instituto, localizado no Jardim América, no período da tarde. Durante a manhã, prioriza o contato com a família, a esposa Adriana Cavalieri, a quem ele chama de “rainha”, sua filha Luanna, seu enteado Pietro e a cachorra Melody, da raça yorkshire terrier. Sempre que possível, faz questão de levar Luanna à escola. Claro que boa parte do bate-papo com a adolescente, durante o trajeto, é devidamente registrado pelo celular e compartilhado em suas redes. Academia e outros esportes que pratica todos os dias também são mostrados. Paralelamente a esses posts, intercala mensagens inspiracionais (as quais chama de ‘‘escolhi ser feliz”), e responde às dúvidas do público. Os assuntos costumam girar em torno do que ele chama de Pilares para uma vida saudável, título de seu bestseller lançado no ano passado (Editora Pandorga), que figurou na lista dos mais vendidos. Gostou tanto da experiência, que o próximo título será lançado ainda este ano e vai desbravar o mundo dos alimentos. “A ideia é quebrar esse mito de que comer bem é difícil ou caro. Quero que o leitor conheça todos os detalhes e propriedades benéficas dos alimentos”, adianta.

Sobre a idade, Barakat despista, mas em seu livro afirma ter por volta de sessenta anos, apesar de não parecer. “Minha idade biológica é de uma pessoa na casa dos trinta”, garante. Bem-sucedido, estiloso, com físico invejável, cabelos e barba grisalhos, Barakat afirma que chegou à plenitude. Mas nem sempre foi assim. “A mudança daquele menino pobre, gordo, fadado a ser bariátrico, para o homem de hoje nunca foi radical. Foi progressiva, cheia de recaídas. Até entender que as recaídas me custavam tanto que não valiam a pena. Pizza, por exemplo, é uma das coisas que mais amo, mas não preciso ficar comendo a toda hora. Para ser sincero, costumo comer uma vez por ano lá na Bahia, durante as minhas férias. É algo que me permito. Agora, comer pizza todo fim de semana? Não procuro minha felicidade apenas na comida”, diz.

Antes de iniciar o atendimento de seu primeiro paciente do dia, o que costuma levar cerca de uma hora Dr. Barakat recebeu a reportagem em sua sala. No encontro, falou sobre os mais diversos temas, inclusive aqueles considerados, de certa forma, “polêmicos”, a exemplo de sua posição sobre o consumo do leite de vaca; a importância da exposição ao sol; os benefícios do jejum intermitente, entre muitos outros assuntos. Seu objetivo é bem definido: provocar as pessoas.

foto: Gabriela Rossa Drewes

START PARA A MUDANÇA
Quando o assunto é mudança de vida, Barakat costuma fazer uma viagem de volta no tempo. Durante a infância, desenvolveu ansiedade, que culminou em adolescência obesa. Sua família, de origem árabe, sempre foi humilde e chegou a racionar comida. Por muitos anos, moraram oito pessoas numa quitinete com quarto, sala e cozinha. Quando melhoraram um pouco de vida, a riqueza era observada à mesa. Foi o primeiro passo para o jovem adolescente abusar da alimentação. A comida passou a ser sua válvula de escape, sempre com refeições carregadas de carboidratos, farináceos e refinados. O resultado de todos esses hábitos adquiridos durante as duas primeiras décadas de sua vida foi sentido na balança. Aos 14 anos chegou a pesar mais de noventa quilos. Na escola, tudo o que Mohamad queria era ser aceito, como todo garoto. “Gordo, turco, pobre e imigrante, não foi fácil. Ninguém queria muito papo comigo. Desejava ser aceito para um jogo de bola, mas não conseguia. E aí começaram a me hostilizar, me batiam, brigavam comigo... Sofri muito bullying”, recorda-se.

O start para a mudança veio por intermédio de seu tio, que dizia: “você tem de aprender a reagir, você tem de aprender, precisa, ser diferente”. A partir daquele momento, entregou-se ao esporte. Treinou judô, depois boxe e imaginou que a imposição física o protegeria. As primeiras mudanças em seu corpo apareceram. “Na verdade, esse corpo musculoso que as pessoas observam nada mais é que uma ‘capa’ para proteger um nerd que mora aqui dentro. A vida me ensinou uma coisa: não importa o que lhe façam. Importa o que você faz com aquilo que lhe fizeram”, ressalta. Os anos se passaram e o jovem decidiu cursar Medicina, formando-se pela FMABC-Unifesp/EPM. Com o corpo e a mente em transformação, durante a faculdade, passou a ser convocado para integrar os times de esporte. Chegou a receber 12 medalhas, sendo dez de ouro. Não demorou para o rapaz também chamar a atenção das meninas. “A falta de confiança e aquele estado de paralisação devido ao bullying só foram rompidos quando eu consegui me autoafirmar e me posicionar como atleta”, diz. Começava ali a primeira mudança em seu estilo de vida, e não parou mais. Por sua habilidade manual, queria ser cirurgião oftalmologista, pois o universo da cirurgia microscópica o encantava. Tempos depois, o mundo dos esportes e da alimentação falou mais alto. Foi fazer pós-graduação em endocrinologia, estudou nutrologia, fisiologia do exercício, medicina esportiva, entre outras especializações.

LUTA CONTRA A GENÉTICA
Após muitos anos de estudo, mudanças no estilo de vida, reeducação alimentar e uma “luta contra a genética”, o médico declara que apresenta uma saúde que não chega aos pés da que tinha quando jovem. “Costumo dizer que nosso código genético carrega nossa arma, mas quem aciona o gatilho é o estilo de vida”, pondera. Do lado da família materna e paterna, há históricos de obesidade mórbida, de diabetes, de cirurgias bariátricas e, até mesmo, infarto. Apesar dos efeitos da carga genética, Barakat afirma estar em sua
melhor fase e sente-se um vencedor. “Contrariei o que parecia ser o meu destino”.

EPIDEMIA DE DOENÇAS
Para o médico, as doenças que atingem diretamente a sociedade como diabetes, doenças cardiovasculares, Alzheimer, Parkinson, doença autoimune e câncer estão diretamente ligadas ao comportamento não saudável da má alimentação, do estresse, ansiedade, não trabalho de saúde mental e intoxicação do seu terreno biológico, por meio do consumo de produtos industrializados, carregados de corantes, de preservantes, conservantes, fertilizantes, agrotóxicos, adoçantes, açúcar branco refinado. O corpo responde por meio da resistência à insulina, aumento da circunferência abdominal, elevação da glicose, que possibilita o surgimento das doenças oportunistas. “Estamos caindo na armadilha da ‘Matrix’ desde os tempos da Revolução Industrial e Segunda Guerra. A indústria ensinou às mulheres que elas não precisavam mais ficar em casa, que eles ‘cuidariam dos seus familiares com produtos carregados de amor e saúde’ para que elas pudessem trabalhar nas fábricas”, relata. Barakat explica que, à medida que esse ciclo não parava de crescer, a indústria encontrava mecanismos para manter a crianção de produtos com mais durabilidade. Esse modelo de comportamento alimentar é aceito até hoje pela sociedade, principalmente a ocidental.

REMANDO CONTRA A MARÉ
Hoje, Barakat se diz orgulhoso por fazer parte do movimento que vai contra o que a indústria alimentícia e farmacêutica preoconizam. Para ele, o maior “traficante” dessas indústrias continua sendo a televisão. “Somos um país que não gosta de ler. Quem não gosta de ler é obrigado a acreditar no que assiste. As emissoras de televisão estão ali para atender os seus patrocinadores, que são todos da indústria alimentícia ou farmacêutica, em sua maioria”, salienta. Já quem tem contribuído para pequenas mudanças é a internet e as redes sociais, que deram voz ao médico. “Todos que se apaixonam por mim hoje já me odiaram antes. Não estou nas redes sociais para agradar ninguém. Não sou blogueiro; quem me segue, me acompanha com os cabelos despenteados. Essa tem sido a minha missão: provocar as pessoas a saírem dessa ‘Matrix’; tirá-las de sua zona de conforto. Tenho visto uma ponta no iceberg. Aos poucos, a sociedade está despertando e acordando, ressignificando sua relação com o alimento e com a vida”, diz.

COMIDA DE VERDADE
Enquanto comia arroz, feijão, ovo, um bife e salada, o brasileiro era saudável, avalia Barakat. A partir do momento em que a sociedade começou a elevar o seu padrão econômico, imediatamente deixou de lado o bom e velho arroz e feijão para integrar massas, fast food e lanches, surgindo o movimento dos shoppings. A situação marcava uma mudança de status na vida das pessoas. “Não sou mais do ‘arroz e feijão’, agora vou ao shopping, como lanche, levo as crianças no fast-food. Aquela sociedade que tinha uma alimentação muito mais saudável simplesmente deixou de ser saudável”. Definir o conceito de “comida de verdade” é simples na visão do médico: “é o oposto daquilo que é processado, rico em gordura e sódio, com diversos produtos químicos, corantes, conservantes e todo tipo de alimento industrializado que traz ingredientes expressos em seus rótulos cujos nomes nem sequer conseguimos pronunciar”.

Ingerir alimentos naturais é sempre a melhor opção, pois eles estão livres de agrotóxicos, antibióticos e hormônios. A mais correta, segundo Barakat, é a alimentação orgânica. “Muita gente me diz que os alimentos orgânicos são mais restritivos devido aos custos. Pode observar que os orgânicos têm tido cada vez mais espaço nos mercados e na mesa do brasileiro. É preciso acreditar no cultivo desse alimento, pois, à medida que a demanda cresce, a oferta também, reduzindo os preços. É exatamente o que acontece com os industrializados. Se for pelo bem de sua saúde, vale a pena. Portanto, desembrulhe menos e descasque mais. Quando compreendemos que o alimento é o real medicamento, ficará claro que o custo que pagamos por desembrulhar comida industrializada é alto demais. Alguns pagam com a saúde e, até mesmo, com a vida. Nosso organismo é uma engrenagem, por isso, corpo, mente e espírito devem estar em harmonia. A natureza provê tudo o que precisamos em termos nutricionais. As pessoas estão nutrindo suas angústias, suas frustrações, suas ansiedades, suas depressões, suas decepções com comida. Como se fosse uma droga, buscando recompensa, reconforto, principalmente por meio do açúcar, que é a droga mais barata e lícita do mundo”, sintetiza.

PILARES PARA UMA VIDA SAUDÁVEL
Em seu livro Pilares para uma vida saudável, Barakat destaca os quatro pilares que são responsáveis por sustentar o nosso físico e emocional: alimentação e intestino saudáveis; exercício físico; qualidade do sono e controle do estresse; e equilíbrio entre corpo, mente e espírito. Um pilar está diretamente relacionado ao outro, por isso, mantendo a harmonia entre eles, o indivíduo pode garantir uma vida com mais saúde, bem-estar e plenitude. Assim, no Instituto Dr. Barakat de Medicina Integrativa, o médico busca enxergar as pessoas com um olhar holístico e biopsicossocial - conceito que visa a estudar a causa ou o progresso de doenças utilizando-se de fatores biológicos, psicológicos e sociais.

foto: Gabriela Rossa Drewes

DESPERTE UM NOVO ESTILO DE VIDA
Barakat costuma dizer, em suas redes sociais, que muitas pessoas não querem emagrecer, elas querem ser emagrecidas. Defende que a ressignificação da relação das pessoas com os alimentos pode ser a chave para uma mudança no estilo de vida. Entre os estilos alimentares que pratica estão paleolítico, low carb e mediterrâneo. A seguir, ele resume cada um deles:  
Paleolítica - “A paleolítica, da qual sou adepto, vai além de uma simples dieta. Ela é completa no sentido de remeter a tudo o que há de mais saudável, pois prevê qualidade nutricional e prática de atividades físicas. Durante a ‘Era Paleolítica’, nossos hábitos eram extremamente rústicos e sem nenhum tipo de facilidade. Para sobreviver, nossos antepassados precisavam caçar e pescar. A dieta era à base de carnes in natura, frutas, raízes e vegetais. A paleolítica faz bem justamente porque adota o consumo de produtos orgânicos, exclui os industrializados, processados e os açúcares. A dieta paleo é uma ferramenta importante no que cabe à prevenção de doenças crônicas e degenerativas, como câncer, diabetes, Alzheimer, entre outras”.
Low carb - “Trata-se de um conceito que preconiza a diminuição da ingestão de carboidratos, presentes em pães, massas, biscoitos, doces, entre outros produtos, responsáveis por estimular o acúmulo de gordura no organismo. Para quem deseja emagrecer e reduzir a massa gorda é uma boa alternativa. Ao adotar a low carb, a principal fonte de energia será oriunda de alimentos ricos em gorduras saturadas, monoinsaturadas e poliinsaturadas. Entre as inúmeras vantagens, haverá diminuição da fome, exatamente porque os carboidratos serão naturalmente substituídos por proteínas e gorduras. Os triglicerídeos, que são um fator de risco para doenças cardíacas, caem drasticamente com a redução do carboidrato. O HDL, colesterol bom, aumenta exatamente pela inclusão de gorduras de boa qualidade. Os níveis de insulina e glicose caem, reduzindo os riscos de diabetes tipo dois”.
Mediterrânea - “Um tipo de alimentação que faz bem à saúde, sobretudo à do coração, é a dieta mediterrânea. Um estudo publicado em 2013 no The New England Journal of Medicine aponta para o fato de que a dieta do Mediterrâneo, com azeite ou nozes, reduz, por exemplo, cerca de 30% da incidência de problemas cardiovasculares e AVC. Aqui os industrializados serão excluídos e haverá prioridade total para os alimentos frescos in natura. Desta forma, já se eliminam automaticamente os excessos de sal, de açúcar, e os aditivos químicos. Nesta dieta, o consumo de peixe e ovos sobrepõe a ingestão de carne vermelha e frango. Refrigerantes e sucos passam longe da mesa, já uma taça de vinho é recomendada. O azeite torna-se item fundamental, com moderação, obviamente, bem como o consumo de derivados de cereais, preferencialmente em suas formas integrais”.

Seja qual for o estilo de vida que se pretenda adotar, o médico salienta que a orientação de um profissional habilitado é imprescindível para acompanhar esse processo, até porque cada organismo reage de uma maneira às mudanças de hábitos, e o médico ou nutricionista tem a capacidade técnica de fazer as adaptações necessárias aos cardápios individuais, de acordo com as particularidades de saúde de cada um.

JEJUM INTERMITENTE
Quem acompanha o médico pelas redes sociais sabe que ele é adepto do jejum intermitente, estratégia nutricional planejada em dias alternados, caracterizada por pausas na alimentação por períodos que podem variar entre oito a 24 horas - bebidas são permitidas (água, chás e café sem açúcar). Estudos sugerem que a prática pode contribuir para a longevidade. Ganhador do Nobel de medicina de 2016, o médico japonês Yoshinori Ohsumi afirma que o jejum colabora para o processo chamado autofagia, um importante mecanismo de autolimpeza que existe em todas as células. “O jejum intermitente não é indicado para emagrecer. Ele promove a saúde e previne a doença. Cada um tem sua individualidade. É importante respeitar as necessidades corporais. Não há ‘sofrimento’ e nem períodos de fome. Boa parte do jejum acontece durante o sono”, declara Barakat. Ele explica que essa reparação celular ocorre desde os tempos do homem da caverna, que caçava o próprio alimento. “Ao caçar, automaticamente ele já praticava exercícios físicos e ainda tinha exposição ao sol, que traz uma série de benefícios para nossa saúde”. Por falar em exposição ao sol, ele recomenda todos os dias, durante 15 ou vinte minutos, expor-se ao sol, no horário entre 11 e 16 horas, tempo ideal para o corpo absorver vitamina D, que tem papel importante para o fortalecimento do sistema imunológico, além de contribuir para inibir processos pró-inflamatórios, suprimindo a atividade aumentada de células imunes que participam na reação autoimune.

SUBSTITUA O LEITE DE VACA
Certamente um dos temas que mais geram debates em seus posts nas redes sociais envolve o leite de vaca, produto do qual tem convicção que não traz benefícios para a saúde. Ao menos o leite disponível atualmente nos supermercados. Em seu livro, dedica várias páginas sobre o assunto. “As pessoas me escrevem: ‘mas doutor, o senhor está falando tão mal do leite. Minha avó bebeu leite a vida toda e morreu com 98 anos’. Veja bem, certamente a sua avó morou na roça, trabalhou muito fisicamente, tomou sol todos os dias, comeu legumes, verduras, vegetais oriundos da fazenda, sem agrotóxicos. A alimentação era preparada na banha de porco e provavelmente tinha uma vaquinha no quintal. Tomar um copo de leite de manhã e um copo à noite realmente até poderia fazer bem. Hoje, a realidade é outra. Pare para refletir, você realmente acha que tem consumido o leite de vaca? Já foi leite um dia. Depois que a indústria leiteira pegou todos aqueles canos para ordenhar a vaca, que recebe hormônios de crescimento e de simulação de gravidez para aumentar a produção de leite, manda o líquido direto para um caldeirão. Lá, sofrerá reações químicas com formol, conservante, preservante, água oxigenada, espessante e foi para uma embalagem de plástico e alumínio, que diz no rótulo que dura seis meses? É possível comparar o leite que a sua avó bebia com o leite disponibilizado hoje pela indústria? Aos adeptos do leite desnatado, tenho que dizer que é ainda pior. Um leite sem gordura, uma verdadeira água rala, que a indústria ainda tem de adicionar lactose, para se assemelhar ao original, da vaca”, provoca.

Barakat explica que todas as pessoas possuem uma espécie de “cota” limitada para digerir o leite de vaca. Algumas, desde a infância. Outras, na vida adulta. Cerca de 70% dos adultos têm algum sintoma de intolerância após consumir leite de vaca ou derivados. Essa ‘doença’ ocorre porque as pessoas nascem sem uma enzima (lactase) que quebra a lactose, o açúcar do leite, ou porque deixam de produzi-la ao longo da vida, seja por envelhecimento ou por lesões no intestino. Os sintomas típicos ficam entre dores abdominais, sensação de inchaço no corpo, flatulência, problemas respiratórios (rinite, bronquite, asma e sinusite), prisão de ventre, gastrite, amidalite, cansaço, dores de cabeça, enxaqueca, dermatites, acne, diarreia e vômitos. “O fato é que a avó dessas pessoas consumia o leite gordo, com pouca lactose e poucas vezes ao dia. Hoje, a neta está consumindo leite desnatado e derivados de leite desnatado o dia inteiro. Estamos antecipando essas intolerâncias de uma maneira expressiva. Por que as pessoas estão com mais intolerância à lactose? Porque existem muito mais produtos cheios de lactose e o consumo está excessivo. E a reserva de lactase que cada um tem está se esgotando muito precocemente - coisa que, outrora, o indivíduo podia morrer sem ter apresentado ainda, devido ao baixo consumo. Isso é muito importante para as pessoas entenderem. Portanto, se você suspeita de intolerância ao leite, deixe de consumi-lo por uma semana, bem como seus derivados. Se os desconfortos desaparecerem, o motivo foi descoberto. Todavia, é importante agendar uma consulta médica e entender com precisão o que acontece com o seu corpo”, destaca.

CAFÉ DA MANHÃ: MITOS E VERDADES
Muitos profissionais da saúde afirmam que o café da manhã é a refeição mais importante do dia. Sem rodeios, Barakat discorda. “Lembra daquela típica cena de comercial de televisão com uma mesa bonita repleta de pães, margarinas, iogurtes, geleias, presuntos, queijos brancos e leite? Isso pode ser, na verdade, uma armadilha perfeita para um pesadelo e pode custar caro mais tarde. Sabe aquela expressão tomar ‘café da manhã como um rei?’. Esqueça. Se você é daqueles que adoram comer aquele cereal (até mesmo os que têm o termo fit na embalagem) sinto lhe dizer, mas você é forte candidato a se tornar o ‘rei da obesidade, diabetes, hipertensão, câncer e por aí vai’. Fuja do glúten e da farinha branca (nosso açúcar salgado) - veneno em forma de pãozinho. Dos queijos, se for para comer, que sejam os mais escuros (e raramente). Basta olhar o rótulo de um queijo branco. Certamente metade daqueles componentes as pessoas não conhecem. Agora, experimente pegar aquele queijo gordo amarelo que foi condenado. Sabe qual é o ingrediente? Leite cru”, avalia. Para o médico, um café da manhã saudável conta com ovos, frutas, abacates, oleaginosas, proteínas, frutas secas, nozes e aveia. Já o café ou chá, recomenda sem o consumo de açúcar e, se for o caso, usar o açúcar de coco ou mascavo.

#DESAFIO30DIASDRBARAKAT
Para quem está com dificuldade de iniciar uma reeducação alimentar, durante o período de um mês, gradativamente, Barakat indica o Desafio 30 Dias. No período, o médico sugere a substituição de alimentos e garante que a iniciativa poderá ser fundamental para a ressignificação da forma como nos relacionamos com aquilo que comemos. O objetivo é promover a experimentação de um novo estilo de vida por meio da alimentação e, com o tempo, transformar isso em uma rotina. “Após trinta dias, qualquer pessoa poderá acompanhar mudanças benéficas em seu organismo, que vão desde bem-estar, melhora no desempenho do sistema autoimune (redução de alergias respiratórias, por exemplo), aumento da produtividade, melhora no funcionamento do intestino e, mais importante, na autoestima. Como consequência, será possível observar perda de peso. No caso do glúten e do leite, recomendo que seja feita uma exclusão total. Como em todo desafio, minha mensagem é: persista, pois toda mudança – sobretudo alimentar – pode incomodar no início. Afinal, para aqueles que comem doces e massas desde a infância, adequar a rota irá requerer esforço”, desafia. 

LISTA - DESAFIO 30 DIAS
BEBIDAS:
refrigerantes, sucos de caixinha e leite Substituições: água e sucos orgânicos, naturais, água de coco,  leite de amêndoas e leite de coco
ADOÇANTES: adoçante e açúcar branco e refinado Substituições: açúcar de coco, açúcar mascavo, demerara e stevia
FARINHAS: farinha branca refinada (glúten) Substituições: farinha de arroz, farinha de coco e quinoa
SAL E TEMPEROS: sal branco refinado Substituições: sal rosa e sal marinho
REFEIÇÕES PRONTAS: alimentos industrializados e alimentos processados Substituições: alimentos orgânicos e sem conservantes 

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