REPORTAGEM
14/12/2017    Por Soraia Sene
Roberto Shinyashiki - O homem de oito milhões de livros
Usando sua própria experiência em superar obstáculos e se reinventar Roberto Shinyashiki firmou-se como o maior palestrante do país e agora lança o desafio de mudar a vida de seus leitores
foto: Henrique Vilela

O médico psiquiatra, escritor, doutor em administração e economia, empresário e palestrante Roberto Shinyashiki, 65, acumula muitos títulos que o precedem. Mas foi superando os próprios obstáculos, mergulhando no autoconhecimento e redesenhando a vida, sem nunca deixar de ouvir o coração, que conseguiu encontrar a fórmula para o sucesso de mais de trinta anos. Foi quando decidiu deixar de atender os pacientes individualmente no consultório de terapia particular para ampliar exponencialmente o espectro da ajuda que poderia dar a eles, tanto na vida pessoal como na profissional. Shinyashiki imprime em suas obras, palestras e treinamentos os ensinamentos que aprendeu nessa jornada de autoconhecimento e que podem incentivar as pessoas a também redesenhar a própria vida.

O primeiro passo nesse novo sentido que deu à sua vida foi com o best seller A Carícia Essencial (Ed. Gente), lançado em 1985. O livro abriu uma via para a fama e a possibilidade de realização pessoal, porém, ele sentia que faltava alguma coisa. “Eu percebi que era o momento de optar por um caminho ligado à espiritualidade enquanto estava com sucesso, com o livro na lista dos mais vendidos, mas eu sentia falta de algo. Então, fui abrir minha cabeça indo para o Oriente”, conta o médico, que embarcou para a Índia nos anos oitenta e lá teve contato com alguns mestres e gurus espirituais como o mestre Osho, as mestras das Brahma Kumaris, o mestre Sai Baba, a humanitarista Amma, além dos mestres zen de Takamakura, no Japão, bem como a comunidade budista de Kathmandu, no Nepal.

Segundo Shinyashiki, na espiritualidade há dois caminhos. O primeiro é o do Ocidente, em que Deus é Cristo; e o outro é caminho do Oriente, em que Deus está dentro de você. “Buscar esse Deus dentro de mim foi muito importante para ajudar a me encontrar, definir meu sentido de vida, minha missão, e também para aprender a me entregar. A espiritualidade me ajudou muito a ter consciência dos meus movimentos, de mergulhar no projeto profissional, fazer essa entrega; e também o outro lado, que é saber desapegar, saber que nós somos uma alma com um corpo e não um corpo com uma alma. Isso confere mais lucidez às nossas escolhas”, explica.

TRANSFORMAÇÃO INSPIRADA PELO AMOR AO FILHO LEANDRO

foto: Henriquue Vilela - Ao lado dos filhos Arthur e Ricardo, Shinyashiki cuida do Grupo Gente, vocacionado a transformar o mundo

Se a opção pelo caminho da espiritualidade foi uma das grandes responsáveis pela redefinição da vida de Shinyashiki, a compreensão do primeiro filho, Leandro, que nasceu com uma grave lesão neurológica e consequente paralisia cerebral, foi um dos maiores insights na sua vida.

Roberto nasceu em Santos, em uma família humilde. Moço, veio para São Paulo para estudar e tornar seu sonho realidade: ser médico terapeuta. Começava aí uma roda viva que, em vez de desorientá-lo, o fez ver com clareza os objetivos que tinha para a própria trajetória. Mas o nascimento do Leandro colocou uma vírgula nesse planejamento.

Ainda estudando, já conseguia sustentar-se à custa de muitos plantões em pronto-socorro, como membro da equipe de cirurgia. Mas percebeu que, apesar de promissora, a carreira de cirurgião não o completava, pois não gostava do dia a dia do pronto-atendimento, onde convivia com a morte diariamente. Não seria um cirurgião de sucesso, estaria adiando o sonho do consultório de terapia, e, principalmente, seu coração dizia para não estar ali. Abandonou, então, a segurança do emprego no pronto-socorro para abrir seu consultório.

Conseguiu, de fato, realizar-se como terapeuta, com agenda cheia de clientes importantes. Mas, depois de ter atingido o ápice na carreira, achou que era hora de se reinventar, pois as terapias individuais já não traziam aquele sorriso e a sensação de desafio. O sucesso editorial alcançado com o lançamento de seu primeiro livro abriu as portas para um novo desafio, num terreno que teve de desbravar: o de palestrante.

Em palestras, ele poderia ajudar muitas pessoas, e não apenas uma de cada vez, e aplicar todo conhecimento acumulado ao longo de anos de estudo e observação. Tornar-se palestrante foi a evolução natural de quem assumiu como missão ajudar as pessoas. Foi o que sua alma o mandou fazer depois de dar seu grande salto. Mas, nada disso aconteceu de maneira simples.

“Até os quatro anos do Leandro, eu acreditava piamente que ele recuperaria por completo o desenvolvimento e que seria uma criança normal. E, para isso, eu não media esforços. Consegui uma profissão rendosa que me permitia levar meu filho para todo o tipo de terapia”, conta. Até que percebeu que seu filho não iria evoluir, e, com a ajuda de terapia, notou que o desafio era dele. “Eu precisava aceitar meu filho definitivamente. Foi então que compreendi que devia soltar a âncora que me prendia e parar de projetar meus sonhos e desejos impossíveis em relação ao Leandro. Essa aceitação foi meu salto no abismo”, relata.

foto: Henrique Vilela

PARE DE DAR MURRO EM PONTA DE FACA 
Em seu último livro, Pare de dar murro em ponta de faca (Ed. Gente), o autor conta que, aceitar a condição do filho Leandro, foi o impulso para o grande salto que deu para a psicoterapia. “Montei um curso de psicoterapia do relacionamento, fiz as apostilas no mimeógrafo. Lotei o curso, mas, mesmo assim, percebi que o dinheiro não era suficiente. Notei que precisava ter clientes de terapia, e assim foi o início da minha carreira de terapeuta. A dor da doença e o amor pelo meu filho me inspiraram nessa transformação”, conta.

Mesmo tendo alcançado sucesso nas terapias, ou no acompanhamento a atletas de alto rendimento, Shinyashiki teve também de parar de dar murros em ponta de faca para alcançar seus objetivos. E quais seriam esses murros? Insistir em ideias que não estão dando certo, ou que, mesmo obtendo êxito, o deixam infeliz e frustrado; investir em pessoas que o puxam para baixo e que não se enquadram mais na sua vida; tentar ser quem não é; tudo isso são exemplos de dar murro em ponta de faca e se machucar bastante.

Agora, depois de se consolidar como palestrante e de dar cursos e treinamentos, de atingir a marca de trinta livros publicados, com aproximadamente oito milhões de exemplares vendidos não apenas no Brasil como em outros países, Roberto Shinyashiki se lança num auto desafio audacioso. Ele quer impactar a vida do seu público por meio de seu novo livro, que propõe ao leitor resolver seus bloqueios, descomplicar a vida, estabelecer um destino a que se quer chegar e, a partir daí, começar a escrever novamente sua própria história.

Ele ensina, passo a passo, os métodos que funcionaram com ele e com algumas pessoas cujas histórias passaram pelo seu crivo profissional. Ele mostra que é possível, a qualquer tempo, estabelecer um novo ponto de “não retorno”, mergulhando profundamente na consciência da própria vida.

PASSO A PASSO PARA CONSTRUIR UM NOVO EU EM 2018
Início de ano é época propícia para fazer a famosa lista de resoluções para o próximo período que irá se iniciar. Todos os anos você promete a si mesmo que vai ser diferente: vou começar a malhar, vou eliminar dez quilos, e por aí vai. Mas, não sabe como, todas as resoluções caem por terra, antes às vezes até, de ultrapassar o primeiro mês do novo ano. O que o escritor propõe em seu livro, é exatamente isso, que você pare de fazer o que dá errado, o que o machuca, o que o faz infeliz, o que o “atola” no meio do caminho fazendo com que você fique preso a uma situação, imobilizado, sem conseguir seguir em frente ou retornar ao ponto de partida. Pretende ensinar todo o processo necessário para que o leitor possa recomeçar do zero a reescrever a história da própria vida, deixar para trás os insucessos e voltar ou começar a ter brilho nos olhos e prazer no projeto no qual está envolvido, seja na vida pessoal ou na profissional.

Em entrevista exclusiva a Viva S/A, contou algumas dessas valiosas atitudes e listamos todas elas, para que você possa também, em 2018, ter mais do que uma lista de resoluções superficiais que acabarão esquecidas. Comece aos poucos, seguindo com atenção cada uma delas. Não desista. Guarde essa edição para sempre relê-la quando tiver dúvidas.

foto: Henrique Vilela

RESOLVA DE UMA VEZ SEUS BLOQUEIOS
A primeira orientação para que sua vida comece a ser reescrita é resolver os bloqueios. Bloqueios são os problemas que o impedem de planejar e vislumbrar projetos para sua vida. E o primeiro passo para a resolução de problemas é vêlos em seu tamanho real, e não superdimensioná-los. Antes de qualquer coisa, precisamos buscar a origem do problema, e depois tentar resolvê-lo, sem complicação.

ESTABELEÇA O DESTINO
Quando não se sabe onde quer chegar, o caminho sempre é mais longo e difícil. Assim, antes de partir em busca dos seus objetivos, estabeleça um destino específico. Onde você quer chegar? Responda a essa pergunta e só então saia do ponto de partida. Dessa maneira, não se perderá no caminho e nem gastará energia desnecessariamente.

ESCUTE SUA ALMA
Nosso grande desafio é estarmos conscientes, termos a capacidade de enxergar o que fazemos e para onde nos levam nossos atos. Parar de mentir, para nós mesmos e para o mundo, sobre quem somos. É a consciência que vai mostrar se é tempo de lutar ou de se desligar. E o aliado nesse despertar da consciência é o silêncio, aquele que mostra a verdade que não confessamos nem para nós mesmos. É ele que nos permite perceber a angústia que está dentro de nós. Pare um segundo para ficar em silêncio, com um papel e uma caneta, e escreva: como tem sido o resgate da sua consciência? O que você veria se observasse a si mesmo agora? Nesse ponto os relacionamentos também são fundamentais, pois é por meio deles que nos enxergamos. Eles funcionam como espelhos. O sucesso só acontece para quem tem consciência.

PENSE NO IMPACTO QUE CAUSA
Nesse mergulho em nossa própria consciência, é importante refletir sobre o impacto que causamos aos outros. Um dos pontos mais importantes para saber se estamos agindo de acordo com nossa alma é avaliar se o impacto que causamos ao mundo é aquele que queremos causar. Impactar não é apenas adotar ações surpreendentes, mas sim causar efeitos das nossas ações sobre os outros, que podem ser positivos ou negativos. É possível residir aí uma situação ‘murro em ponta de faca’, quando não vivemos segundo o propósito do impacto que queremos causar.

SEJA PROFUNDO
Superficializar sempre é fatal. É importante mergulhar profundamente na superação de cada dificuldade e na obtenção de cada objetivo. Os sonhos precisam ter um vínculo profundo com a sua alma. Nada de ficar trocando de projeto a cada desagrado. Não adianta só querer algo. É preciso assumir um compromisso, ‘casar-se’ com seu projeto, entrar no barco para valer. Se a água está a dez metros de profundidade, não adianta cavar vários buracos superficiais. Isso só vai deixá-lo exausto. Comece a cavar o poço nessa única direção. A maioria das pessoas, quando entra em um relacionamento, um emprego ou um negócio, já olha a saída de emergência antes de começar a realizar o projeto. Se você deseja obter resultados claros e expressivos, a minha sugestão é que em vez de querer fazer tudo de forma rasa, superficial, escolha algo, crie um vínculo real com ela e avance até as últimas consequências.

DESENHE A SUA VIDA
Depois de mergulhar na sua própria consciência e se conhecer melhor, é hora de começar a desenhar sua vida. Será que no desenho atual da sua vida existe um respeito à sua forma de pensar, à valorização do seu talento? É fundamental que você desenhe sua vida com base na sua alma, em seus talentos e, principalmente, no impacto que você quer causar ao mundo. Fazer escolhas sem levar em conta tudo isso é desenhar uma vida com os recursos do momento e do meio em que vivemos, e não com as possibilidades reais do nosso eu interior, que são aquelas que farão você se destacar como nenhum outro na multidão. E o melhor da vida é que temos a chance de criá-la mais de uma vez.

SOLTE A ÂNCORA NEURÓTICA, LIBERTE-SE
Âncora neurótica é algo ou alguém usado para justificar a sua inércia, a sua falta de impulso para agir na direção do que deseja. É a pessoa ou coisa que você usa para se autossabotar. É a sua desculpa, o seu pretexto. É muito comum que as âncoras neuróticas sejam os pais, os filhos, os cônjuges, o animal de estimação, alguém que você precisa ajudar. O problema de fazer da família uma âncora para uma vida aquém do seu potencial é que, com o tempo, a frustração de não receber das pessoas mais próximas o reconhecimento equivalente aos aplausos das plateias do mundo cresce e vira mágoa.

SALTE PARA O INFINITO
Para obter nossa libertação, também precisamos ter a coragem de saltar para o infinito. Muitas pessoas procuram, antes de saltar, a garantia de que vai dar certo, mas nem sempre há a rede de segurança. Se esse salto resultar numa queda, você pode se machucar, mas com certeza ficará mais forte. É preciso se arriscar. Se você se machucar, é só levantar e limpar os ferimentos. Decidir que lutaria pela vida do meu filho Leandro foi meu primeiro salto, e mudou minha vida. Todos nós, quando entramos em processo de transformação, precisamos ser audaciosos, devemos avançar mesmo com uma tempestade no caminho. Porque, quem não avança carrega a tempestade dentro de si, em vez de enfrentá-la.

ATINJA SEU PONTO DE NÃO RETORNO
Se sentir dúvidas de estar seguindo na direção certa, e se realmente parou de dar murro em ponta de faca, reflita se já atingiu o ponto de não retorno no seu processo de transformação. É o momento em que, depois de fazer algo específico, nós não conseguimos mais voltar. Se observar sua vida, verá que, quando ela fluiu, você atingiu um ponto de não retorno. Para realizar seu próximo sonho, você precisa estar disposto a não olhar para trás, a evoluir, a encontrar seu ponto de não retorno que mudará sua vida. Todo mundo tem um próximo ponto de não retorno e, ao atravessá-lo, sentirá a verdadeira conexão com a sua alma.

SEJA ÚNICO
O grande barato da vida é ser especial. E, para ser único, é preciso não exigir de si a tarefa de ser como as outras pessoas. As pessoas devem ser elas mesmas, usar suas próprias experiências para chegar onde querem chegar e ouvir o chamado da própria alma. Valorize suas experiências de vida, em vez de olhar para os resultados dos outros. Pare de querer ser o primeiro. Isso só vai fazer você pensar pequeno. Venha para a estrada florida dos únicos! Você está pronto a saltar para o infinito e trilhar seu novo caminho? O caminho da sua alma? Basta aceitar-se como realmente é, com todo o seu coração e com toda a sua alma, e assim estará pronto.

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