REPORTAGEM
28/02/2019   
Barueri 70 anos - Parece que sempre foi assim

Aos 70 anos, Barueri permanece como uma das cidades mais fortes do país, apesar da crise e das características que poderiam torná-la apenas mais um município da região metropolitana de São Paulo

foto: Divulgação

É fácil contar uma história do sucesso de uma cidade, começando pelo clichê “mas nem sempre foi assim”. No entanto, quando, lá em 1949, conseguiu emancipar-se de Santana de Parnaíba, Barueri tinha as mesmas características e problemas da grande maioria dos municípios que, na década de 1970, se configurariam na Região Oeste Metropolitana de São Paulo. Eram extensas áreas particulares, depois loteadas para a criação do que hoje são os bairros, ainda sem a possibilidade de as prefeituras darem conta de todas as demandas sociais e de infraestrutura.

O acesso, além de feito pelas estações da antiga Estrada de Ferro Sorocabana (incluindo “Barueri”), também seguia pelo corredor viário que se formou ao lado da linha férrea – era a antiga Estrada Velha de Itu, atual Corredor Metropolitano Oeste, formado por um complexo de avenidas que vêm desde a Corifeu de Azevedo Marques, na capital, passando pela dos Autonomistas (Osasco), Deputado Emílio Carlos (Carapicuíba) e Marechal Rondon (Barueri). Tais caminhos começaram a moldar a região, ainda intitulada como o berço das cidades dormitórios – pessoas que trabalhavam na capital São Paulo, mas que só tinham condições de morar nas cidades do entorno paulistano.

Porém, esta Barueri que vemos hoje, uma das mais fortes em arrecadação no País, é fruto principalmente de dois fatores: da construção da rodovia Castello Branco, em 1968, e da política de incentivos fiscais que a Prefeitura passou a praticar para atrair empresas, entre o final da década de 1970 e toda a década de 1980. Quem presenciou uma das maiores enchentes da história de Barueri em 1983 nunca acreditaria que aquela mesma cidade que cobrava menos impostos se tornaria a gigante de hoje, principalmente a partir da década de 1990.

O governador Geraldo Alckmin, há cerca de 15 anos, já deu uma definição perfeita da localização estratégica da cidade, por estar próxima à capital paulista e servida pela rodovia Castello Branco e pelo Rodoanel – “a melhor esquina do Brasil”. O atual governador João Doria também valoriza a história de sucesso. “A cidade soube aproveitar a vocação para receber grandes e inovadores
empreendimentos imobiliários residenciais e empresariais nas últimas décadas. O progresso econômico, viabilizado por investimentos privados, foi decisivo para acelerar a geração de emprego e renda. Não por acaso, Barueri está na lista das 50 cidades paulistas com maior Índice de Desenvolvimento Humano”, aponta.

A cidade dos serviços e o bairro planejado
Ambos os fatores – Castello Branco e os incentivos fiscais –, na verdade, acabaram por acertar o alvo no audacioso projeto dos engenheiros Yojiro Takaoka e Renato Albuquerque, que, ainda nos anos 70, criaram um megaloteamento comercial muito bem planejado, à margem da nova rodovia. Alphaville cresceu na década de 1980 e consolidou-se, então, como o polo empresarial que é hoje, responsável pela maior fatia da arrecadação de Barueri, principalmente na qualidade mais forte da cidade: as empresas de serviço.

Até onde pôde, a Prefeitura de Barueri abdicou de cobrar as mesmas alíquotas comumente praticadas entre os municípios, no Imposto de Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN). Foi o que se chamou, principalmente na década de 1990, de “guerra fiscal”, quando a cidade jogava bem lá embaixo os porcentuais do ISS, mas colhendo os fartos frutos depois de alguns anos, com a vinda de tantas empresas do setor de serviços.

“Até onde pôde” porque, em 2016, o governo federal acabou com a festa ao editar a lei complementar 157, e obrigou as cidades a cobrarem uma alíquota mínima de 2% para diversos serviços – serviços estes que encontravam em Barueri porcentuais muito menores do que o mínimo estabelecido. Desde então, a cidade anda muito no limite da lei. Na concepção do imposto para algumas atividades, a Prefeitura abre mão dos componentes fiscais que dizem respeito à municipalidade, e consegue manter o ISS ainda competitivo.

O baixo IPTU e o retorno do imposto pela Prefeitura em investimentos na infraestrutura e em segurança também fizeram a diferença na hora de os empresários escolherem em qual cidade poderiam instalar seu negócio.  

Crescimento até na crise do Brasil
O incrível é que, apesar da lei complementar e da própria crise que passou a assolar o País justamente de 2016 para cá, Barueri não se abalou com os percalços. Prova disto é que conseguiu aumentar em mais de 48% sua receita de ISS nos últimos seis anos, segundo os dados publicados no Portal da Transparência, no site da Prefeitura de Barueri. No sistema, os números da arrecadação do imposto são abertos mês a mês, o ano inteiro, somente a partir de 2013. 

Para se ter uma ideia, em 2013 a arrecadação com ISS chegou aos R$ 655 milhões. Em 2018, o valor alcançou R$ 1.277,6 bilhão. O orçamento da cidade para aquele ano foi estimado em R$ 2.446,9 bilhões – ou seja, praticamente metade da receita de Barueri veio do ISS. 

Outro dado que comprova que nem crise nem lei derrubaram o aumento das receitas de ISS: o maior porcentual de crescimento foi registrado justamente entre os anos de 2017 e 2018 – 19,4%, segundo ainda os registros no Portal da Transparência. Saltou de R$ 1.029,2 bilhão para os R$ 1.277,6 bilhão. 

As obras em andamento também são um reflexo desta contramão da crise em Barueri. Em qual cidade se vêm, de um ano para o outro, construções em pleno andamento, como uma nova unidade hospitalar, um centro de diagnósticos, um novo prédio para o Fórum, um viaduto em Alphaville, uma escola na Aldeia de Barueri, um complexo de cultura, um novo ambulatório de especialidades e um novo acesso ao Parque Imperial, entre outras.

foto: Divulgação

Números que também traduzem qualidade 

Mas isso se refletiu no dia a dia da população? Sim. Um dos principais indicadores que demonstram a qualidade de vida de uma cidade, estado ou país é o da mortalidade infantil. 

Bem verdade que Barueri, em 2013, tinha um número abaixo da casa dos oito (eram 7,44 crianças que perdiam a vida depois de um ano, a cada mil nascidas vivas), e que nos dois anos seguintes acabou caindo no índice, chegando, em 2015, à marca triste de 13,29. Porém, em 2016, já tomou o leme novamente, registrando 8,1; e decrescendo o índice ainda mais em 2017, com 8,03, número mais atual até aqui. Só para efeito de comparação, a capital São Paulo registrou 10,95 em 2018; São Caetano, 9,15; Jundiaí, 10,91; e Americana, 8,25, entre as cidades com melhores índices gerais de qualidade.

Índice de Mortalidade Infatil - Barueri
*Milhões de reais

2013 - 7.44 
2014 - 9.56
2015 - 13.29
2016 - 8.1 
2017 - 8.03

Evolução da arrecadação de ISSQN – Barueri 
2013 R$ 655,00
+8,2%
2014 R$ 713,40
+11,5%
2015 R$ 805,90
+8,4%
2016 R$ 879,80
+14,5%
2017 R$ 1.029,20
+19,4%
2018 R$ 1.277,60

Fonte: Portal da Transparência/Prefeitura de Barueri

foto: Divulgação

Um novo cartão postal para Barueri
Se antes (e ainda) a Prefeitura de Barueri devolve em obras sociais à população sua boa arrecadação com impostos, chegou a hora também de colocar a cidade no mapa dos principais centros de arte, cultura e eventos do Estado. Por que não? 

Inicialmente criticado pelos mais “tradicionalistas” de Barueri, o projeto da chamada Praça de Artes promete ser um ícone da cidade, colocando o município definitivamente no conceito da modernidade na Cultura. Projetado pelo renomado arquiteto Ruy Ohtake, sua localização não poderia ser melhor: bem na entrada do km 26 da Castello Branco, para todo mundo ver e apreciar. 

Evidentemente que sua concepção vai muito além do arrojo arquitetônico. “A Praça das Artes de Barueri escapa ao projeto tradicional de teatro e entra na rota de dois conceitos contemporâneos: a convivência e a multidisciplinaridade. Neste sentido, além de um teatro para todos os tipos de apresentações, integrados, haverá locais para exposições, intervenções artísticas e uma escola que envolverá teatro, música, dança e artes plásticas para os munícipes de Barueri”, explica o secretário de Cultura e Turismo da Prefeitura, Jean Gaspar. “Pelo conceito e arquitetura, será um lugar também para visitação que irá fomentar o turismo e a economia local”, complementa. 

A Praça das Artes terá infraestrutura sustentável (água e energia), pavimento térreo, mezanino e mais quatro pavimentos em terreno de 12.098,28 m², com área construída de 20.807,41 m². O prazo previsto para entrega do prédio é março de 2020.

foto: Divulgação

Esporte leva Barueri a todo o Brasil 
Símbolos no esporte em Barueri também colocam a cidade em destaque. A começar por um dos melhores estádios do Brasil, a Arena Barueri, no Jardim Belval, que hoje sedia o time de futebol profissional da cidade, o Oeste. É, também, anualmente, palco da Copa São Paulo de Futebol Júnior, além de já ter sido utilizado por grandes times que enviaram vários de seus jogos oficiais, como o Palmeiras.

O ginásio poliesportivo José Corrêa, no Centro Comercial de Barueri, é outra prova da importância do esporte para a cidade como forma de projetar seu nome ao Brasil. Com capacidade para cerca de mil espectadores, já sediou muitos eventos nacionais e internacionais de basquete, vôlei, artes marciais e outras modalidades. Atualmente, é a casa do time profissional de vôlei feminino da cidade, comandado pelo campeão olímpico José Roberto Guimarães.

E nada de parar por aí. A Prefeitura investirá cerca de R$ 60 milhões em um outro arrojado projeto – o novo Centro Esportivo do Jardim Silveira. “É um projeto inovador, verticalizando o espaço público, com a construção de um ginásio sobre o outro. Esse tipo de construção possibilitará atender muito mais alunos e realizar eventos nas modalidades coletivas como futsal, basquete, handebol e vôlei, dentre outras. O ginásio superior terá capacidade para três mil pessoas, contará com um belíssimo projeto de rampa, com total acessibilidade. Será um marco no avanço da prática de esportes na cidade de Barueri”, explica o secretário de Esportes da Prefeitura, Tom Moisés.

Barueri
Data de fundação: 26 de março de 1949
População: 262 mil habitantes (projeção Fundação Seade)
PIB:  14º no Brasil, 5º no Estado (IBGE) 

Você sabia? Pequenos “causos” sobre a história da cidade
PADRE ANCHIETA esteve aqui
A origem da cidade está ligada ao aldeamento de Baruery, fundado em 11 de novembro de  1560  pelo  padre  José  de  Anchieta,  que ergueu, na margem direita do rio Tietê, a Capela de Nossa Senhora da Escada, hoje padroeira do município.

OSSOS DE ÍNDIOS enterrados
Escavações arqueológicas da USP no bairro de Aldeia de Barueri (em torno da Capela) revelaram artefatos e até ossos indígenas da época do aldeamento. As peças estão expostas no Museu Municipal do Jardim Belval.

CARAPICUÍBA era Barueri
Em 1949, quando Barueri emancipou-se de Santana de Parnaíba, Carapicuíba era um dos distritos da cidade. Isso até 1964, quando líderes políticos carapicuibanos conseguiram aprovar na Assembleia Legislativa a emancipação de cidade.

GABINETE do 1º prefeito
Nestor de Camargo foi o primeiro prefeito de Barueri. Todo o mobiliário de seu gabinete, incluindo a mesa e a estante com as plaquinhas de patrimônio “001 e 003” da Prefeitura, está montado e em exposição no Paço Municipal barueriense.

FLOR VERMELHA mesmo?
“Flor Vermelha que Encanta” é poético, mas não significa “Barueri”. O nome na verdade deriva da mistura da palavra francesa barriére (barreira) com o vocábulo indígena mbaruery (rio encachoeirado): ou seja “barreira que encachoeira o rio”, no caso o Anhembi, como era chamado o Tietê.

TIME GRANDE de futebol
Antes do Oeste, a cidade teve o Grêmio Barueri representando a cidade na elite do futebol paulista. Com ascensão meteórica entre as divisões do Paulistão, fez história e revelou jogadores como Ralf, hoje no Corínthians.

MÃO SANTA de Barueri
Antes do nosso Zé Roberto no vôlei profissional de Barueri, a cidade contava, no final da década de 1990, com um time de basquete profissional, tendo nada mais nada menos que o Mão Santa Oscar Schmidt como principal jogador.

BOULEVAR sobre rio
No Centro de Barueri, um dos símbolos da cidade – o Boulevar Arnaldo Rodrigues Bittencourt – na verdade, tampona um rio, o Barueri-Mirim. A obra foi necessária para conter as enchentes no Centro, como a histórica ocorrida em 1983.

VIOLA de Aldemir Martins
Barueri tem um monumento concebido pelo renomado artista plástico Aldemir Martins – trata-se da Viola, situada na Praça dos Artistas, paralela à rodovia Castello Branco e ao lado da também famosa Praça das Bandeiras.

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