PALADAR
27/06/2017    Por Marcela Goldstein
Da Fazenda para a mesa
Carolina Vilhena Bittencourt, 37, é médica veterinária de formação com especialização em produção de ruminantes e tecnologia de produção animal.
foto: ABDesignFotos - André Bittencourt

. A moradora de Alphaville que divide seu tempo como diretora da escola de educação infantil Bosque das Letras e do Clube Guará Centro Cultural Esportivo, ambos na Granja Viana, herdou do pai o amor por fazendas e pelos animais. “Tenho fotos, de quando era pequena, tirando leite da vaca com ele”, lembra a veterinária, cujo pai é proprietário de uma indústria de carne seca em Barueri, na qual ela trabalhou durante anos no setor de controle de qualidade.

Com a crescente conscientização e valorização do consumo racional de comida “de verdade” no mundo, a moradora de Alphaville passou a se interessar cada vez mais pelo movimento farm to table (da fazenda para a mesa) - conceito que surgiu nos Estados Unidos e que consiste em reduzir os intermediários entre o produtor e o consumidor final fazendo com que em um prazo reduzido, os produtos cheguem à mesa mais baratos, frescos e saborosos.

Em paralelo ao mundo da educação, a diretora de escola divide a jornada de trabalho com as duas fazendas da família,
uma no interior de São Paulo e outra em Minas Gerais, nas quais trata seus animais de forma consciente. “Cada vez mais pessoas se interessam em saber em quais condições os animais que estão comendo e os que produziram o leite que estão tomando foram criados. E foi nesse contexto que Carolina inaugurou sua queijaria artesanal em fevereiro, no interior paulista. “Adotamos algumas práticas de bem-estar animal, como não fazer desmame precoce dos bezerros e ordenha sem aplicação de ocitocina. As vacas e bezerros são criados a pasto, não ficam confinados e permancem juntos a maior parte do dia. “Sonho em ter uma fazenda 100 por cento sustentável e conduzir um programa de empoderamento feminino com as mulheres do campo. Um passo de cada vez. Um dia chegarei lá!”, afirma.

Amante de culinária e do campo, a veterinária busca sempre introduzir em sua família uma alimentação o mais natural possível. E, com isso, criou sua própria horta com a ajuda dos filhos. Com sua irmã, produz mel de abelhas sem ferrão, além de seus próprios pães de levain e queijos de kefir - feitos com leite cru e sem culturas comerciais, que chama de “queijos da vaca feliz".

O PRIMEIRO  QUEIJO  DA SUA VIDA
Ingredientes
• 1 litro de leite de vaca, integral e pasteurizado
• 1/8 de xícara de vinagre de vinho branco ou de suco de limão
• Sal, ervas e pimenta a gosto para temperar

Modo de preparo
Coloque o leite na panela e aqueça em fogo médio, mexendo constantemente.
Observe até que comecem a aparecer pequenas bolhas ao redor da panela e algumas no fundo.
Atenção: não bolhas de fervura, mas quase. Observando as bolhas, comece a acrescentar devagar o vinagre.
Mexa lentamente para misturar até que inicie a formação da coalhada (sólidos brancos) e o soro (líquido claro).
O processo dessa separação se chama coagulação. Havendo essa coagulação, o líquido não mais parecerá com leite.
Abaixe o fogo e mexa a coalhada com muitíssimo cuidado e cozinhe por mais dois minutos.
Desligue o fogo e, com a ajuda de uma escumadeira, coloque o máximo de coalhada que conseguir na tigela e drene o máximo de soro possível. Adicione sal, pimenta e ervas a gosto e mexa em seguida.

“Parabéns, você fez seu primeiro queijo! Mais especificamente fez um queijo acidificado, que se parece muito com queijo cottage ou com a ricota. Ele combina com saladas, pizzas ou simplesmente no pão com tomates maduros, ou batido com tomate seco ou azeitonas pretas”. Carolina Vilhena Bittencourt

Tempo de preparo: 20 a 30 minutos Rendimento: um queijo de 250 g
IG: queijariabelafazenda

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