ENTREVISTA
28/08/2017    Por Marcela Goldstein
Mauro Dottori
Em entrevista à Viva S/A, presidente da MPD conta trajetória da premiada empresa que comemora 35 anos na construção e incorporação de apartamentos de médio e alto padrão, shopping centers, hospitais e indústrias
foto: Divulgação

Sediada em Alphaville e responsável por muitos empreendimentos no bairro, a MPD Engenharia está comemorando 35 anos na construção e incorporação, prezando pela qualidade de acabamento, entrega 100% no prazo e pelo respeito aos seus clientes e colaboradores. Para a empresa, seus colaboradores são seu principal pilar, primordiais para o alcance de seus objetivos. Pela constante valorização de sua equipe, a empresa já foi reconhecida duas vezes com o Prêmio Valor Carreira como uma das Melhores Empresas na Gestão de Pessoas, e quatro vezes como uma das Melhores Empresas para Você Trabalhar da revista Você S.A.

Baseada no tripé: social, ambiental e econômico, a construtora entende que colabora para o desenvolvimento sustentável e satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das futuras gerações em atender as suas próprias necessidades, atuando, assim, em benefício do planeta. Como mérito destas ações, a MPD conquistou, em 2009, o prêmio de Empresa Sustentável na Construção Civil, do ITCNet Sustentax, pelas ações desenvolvidas em seus canteiros de obra, o que resultou no reforço do posicionamento, ajudando a espalhar a iniciativa para outros agentes. Em 2010 e 2011, foi agraciada novamente com a mesma premiação.

Nesses 35 anos de MPD, foram mais de 125 empreendimentos em mais de 30 cidades. Conte um pouco dessa trajetória.
A empresa começou comigo em 1982. Formei-me em engenharia pela Escola Politécnica da USP, em 1980. Tinha vindo da Marinha e resolvi seguir carreira solo. No início, recebi muita ajuda do Dr. Yojiro Takaoka, na época da, até então, Construtora Albuquerque Takaoka, responsável pela criação de Alphaville. Entre 1985 e 1986, precisávamos de outros engenheiros, foi quando conheci o Milton Meyer, atual sócio da MPD. Tivemos sempre a excelência como nosso principal valor, e não apenas na execução, mas também na gestão, tanto técnica quanto orçamentária. E, com esses princípios, ética e eficiência, seguimos até hoje.

Em 1992, tivemos a chance de firmar uma parceria muito grande com a Tamboré para fazer o Shopping Tamboré. Isso nos levou a outro forte patamar. Passamos a concorrer com obras maiores e, a partir daí, fazer algumas obras públicas. Nessa década, partimos para empreendimentos como shopping centers, indústrias e começamos a construir prédios para outros incorporadores, o que acabou nos tornando incorporadores no final da década 1990. Essa parte de incorporação começou a ter uma escala muito forte no início do século graças à outra forte parceria com a Tamboré e a chegada do Mauro Santi, também sócio da MPD. Fomos os responsáveis, por exemplo, por grande parte das construções na Avenida Marcos Penteado de Ulhoa Rodrigues.

Quais foram os principais desafios nesse percurso?
No início, foram os comerciais. Como um engenheiro recém-formado assumiria uma obra? Nós passamos por todos os planos econômicos possíveis – desde o plano Sarney em 1986 até a atual crise, e a empresa se mostrou resiliente, com valores e eficiência operacional e ética. Sempre digo que, enquanto não perder a cabeça e tiver seu norte, você poderá sofrer, mas conseguirá passar pelos mares revoltos. No meu ponto de vista, como principal sócio da empresa, que conseguiu chegar aos 35 anos com muita vitalidade, o segredo é abrir caminhos para as equipes que vêm atrás de nós, para que consigam perpetuar o desenvolvimento da empresa, assim como fizemos até agora.

A MPD foi reconhecida duas vezes com o Prêmio Valor Carreira como uma das Melhores Empresas na Gestão de Pessoas, e quatro vezes como uma das Melhores Empresas para Você Trabalhar da revista Você S.A. A que atribui esses prêmios?
Damos muito valor à parte humana. Sempre digo que o capital humano é o nosso maior valor e que ele precisa possuir os mesmos valores que os da empresa. Acredito que uma das coisas mais complexas na empresa é perpetuar esses valores e conseguir transmitir para todos quem somos, o que queremos e como fazemos para chegar lá. Adotamos uma política de recursos humanos na qual, com muito respeito, procuramos aproximar todos, da diretoria ao chão de fábrica. Praticamos muitos movimentos de liderança como oficinas e encontros. Temos uma forte cintura de comunicação em todas as esferas. Há ainda a Sipat, realizada em parceira com o Sesi - Serviço Social da Indústria, que tem como objetivo colocar os trabalhadores em contato com medidas que visam à prevenção de acidentes e de doenças ocupacionais, além de transmitir informações importantes sobre como ter uma vida mais saudável. Entendemos que trabalhadores bem instruídos têm menor chance de se acidentar, melhorando constantemente as relações humanas na empresa.

Com base no tripé social, ambiental e econômico, quais são as principais práticas adotadas pela empresa?
Temos três pilares principais: a sustentabilidade ambiental, a social e a econômica. A econômica é sobre a qual as pessoas menos falam e é a que mais saliento, porque nada disso é possível se não houver lucro. Para perpetuar a empresa e dar continuidade às práticas sociais e ambientais, é preciso que a empresa se perpetue. No Brasil, a palavra lucro é considerada um palavrão, enquanto em outros países, uma virtude. É possível, ao mesmo tempo, ganhar o dinheiro da empresa de forma justa e devolver à sociedade de alguma maneira. Ou seja, é o lucro bom que perpetua a empresa.

Em relação à preservação ambiental, sempre procuramos consumir o menos possível e devolver de alguma forma para o meio ambiente. Somos signatários do pacto global da ONU. Buscamos consumir o mínimo possível de energia e de água. Também utilizamos matérias-primas que não provoquem alteração ambiental. Nossas madeiras são todas certificadas; embora isto hoje seja obrigado por lei, nós já tínhamos essa premissa antes. Também nos cercamos de fornecedores e parceiros que tenham a mesma consciência ambiental. Buscamos trazer o menos possível de degradação e erosão para o meio ambiente. Estamos atentos, por exemplo, a que, ao sair do canteiro de obras, a roda do caminhão não leve terra para a rua; à recomposicão da vegetação e em como podemos devolver o carbono.

Optamos por árvores de reuso que, além da beleza plástica, trazem resultados ambientais. Em relação ao social, desenvolvemos muitas ações com os funcionários. Temos o Construindo em Letras desde 2004, que é um programa contínuo de alfabetização no canteiro de obras, em que levamos a escola para o local de trabalho o que facilita a participação do funcionário no curso. Os operários se transformam em estudantes e abraçam com garra a oportunidade de ter um futuro melhor e de poder crescer dentro da empresa. Oferecemos ainda o programa inclusão digital, no qual os funcionários têm a oportunidade de frequentar o curso de informática também dentro do canteiro de obras. Os colaboradores que não são alfabetizados participam primeiro do programa Construindo Letras e depois passam para esse curso de informática que tem reconhecimento do MEC. Temos relacionamento com a comunidade com a qual tratamos, e levamos ideias sobre temas como mobilidade social e outras questões de urbanismo para o poder público. Nosso intuito é melhorar a cidade e os bairros, mas infelizmente essa é uma questão que muitas vezes transcende a empresa.

Em quais tipos de empreendimento a construtora está apostando?
São duas grandes áreas - um presidente, que sou eu, e dois vice-presidentes, um responsável pela área de incorporações e outro por operações. Nas operações, que chamamos de área para terceiros, atuamos desde o Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina até São Paulo com obras residenciais, industriais e logísticas. Temos ainda uma especialidade atípica no mercado: os hospitais. Estamos construindo um grande hospital em São Bernardo e trabalhando em outra obra importante para o Incor. Hoje, a parte de incorporações, assim como todos os segmentos, está sofrendo muito com o problema de distratos devido à situação econômica do País. A expectativa de a pessoa estar bem empregada, de que continuará a ter renda, influencia muito, pois, se ela não estiver segura, não investirá em um imóvel. Além de tudo, tivemos uma inflação setorial muito grande - que felizmente se reverteu - o que acabou distanciado o poder econômico das pessoas do custo. Contudo, a MPD continua muito bem nessa área. Nosso estoque em Alphaville não é grande. Somos líderes do mercado na região. Nosso nome é muito forte.

Quais são as suas perspectivas de mercado para o setor da construção e incorporação?
Vemos que ainda há muita coisa para fazer. Começamos a perceber que o mercado externo e o interno estão com “coceira” para investir. É claro que leva um tempo até chegar à construção; pode levar um ano ou mais. Só falta alguém acender o fogo para começarmos a brincar de festa de São João. Temos uma boa expectativa. Não atuamos no Minha Casa, Minha Vida, que hoje é um grande mercado de incorporação, mas atuamos no mercado de obras em todas as faixas, e vemos grandes oportunidades pela frente. Mantemos a empresa sadia e estamos atentos a novas oportunidades. Existe luz no fim do túnel. Às vezes um pouco mais longe, outras vezes um pouco mais perto. Não é um trem que está vindo em contramão. Pelo contrário, há um horizonte adiante. E cabe a nós, como empresa, identificar tudo isso.

A MPD tem novos projetos para Alphaville e região?
Sim, temos planos. Uma surpresa para o final do ano. Lançamos recentemente o Atria, em Alphaville, edifício residencial de alto padrão com plantas de 228 e 285 metros quadrados e o conceito double view - dois terraços com vistas opostas, que foi um sucesso de venda.

Alphaville completará 44 anos em setembro. Gostaria de deixar uma mensagem em homenagem a essa data?
Hoje somos uma comunidade super atuante. Alphaville tem uma pungência econômica e os moradores são muito participativos. Devemos fazer nosso futuro. As nossas críticas precisam vir acompanhadas de soluções. Não adianta radicalizar, mas temos de nos colocar e nos cobrar mutuamente. Alphaville ainda é muito jovem e tem um futuro que depende fundamentalmente de nós, da nossa percepção. Precisamos formar novas lideranças para que possamos cobrar o poder público e a nós mesmos. Vamos lutar, porque temos uma joia nas mãos que deve continuar sendo lapidada. Portanto, essa é minha mensagem, de muita esperança e de muito trabalho adiante.

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