ENTREVISTA
28/06/2019   
A influência dos pais na escolha da carreira dos filhos
O LinkedIn, rede social de Negócios, fez um estudo com o objetivo de mapear como os usuários da rede definem e constroem sua comunidade profissional.
Ana Claudia Plihal, diretora de soluções de talento do LinkedIn Brasil

Os resultados mostraram que a maior parte dos brasileiros ainda aponta os pais como principal influência na escolha da profissão. Veja a entrevista com Ana Claudia Plihal, diretora de soluções de talento do LinkedIn Brasil

O momento da escolha da profissão é crucial na vida de um adolescete e, muitas vezes, acontecem desilusões ou arrependimentos por não ter havido uma avaliação ponderada e consciente sobre a carreira a seguir. O LinkedIn ouviu dois mil entrevistados, em todas as regiões do país, para fazer uma ampla pesquisa abrangendo os aspectos que envolvem essa importante decisão. O levantamento realizado este ano traz componentes importantes que podem nortear uma esolha equilibrada diante do enorme leque de profissões  existentes hoje no mercado.

Qual a importância em falarmos sobre a influência dos pais na escolha da carreira dos filhos?
Os pais têm um papel fundamental na escolha profissional dos filhos, pois representam indiretamente a primeira forma de referência. A maior influência vinda dos pais nos surpreendeu já que o acesso à informação hoje se dá de forma tão diversa e democrática; porém, isso não é um dado negativo necessariamente. Cerca de 26% dos respondentes afirmaram que, se tivessem que atribuir a decisão sobre a carreira a uma pessoa, seria ao pai ou à mãe. Acredito que todo tipo de influência é uma fonte de informação e traz perspectivas sobre o tema. Ao analisar o nosso histórico econômico, quando se fala de escolha profissional, vemos que a vontade de correr riscos ainda é pequena. A pessoa tende a olhar para o que já viu e para a referência mais próxima. Isso não significa que os filhos sigam exatamente as mesmas profissões dos pais, mas buscam, na experiência de vida deles, a direção para a tomada de decisão. O impacto que isso pode trazer é que esse parecer pode estar baseado nas experiências vividas no passado, como se estivéssemos olhando pelo espelho retrovisor, e usualmente essa abordagem não proporciona espaço para a inovação. Os pais podem apresentar sua experiência profissional como opção, mas jamais como uma regra a ser seguida. Depois dos pais, a segunda pessoa com maior influência revelada foi o gerente/supervisor de alguma experiência profissional anterior (11,6%), seguido por professor universitário (11,4%), professor escolar (10%), amigos (9%), cônjuge (8%), figura pública (3,8%), mentor (3,5%), primeiro entrevistador (2%), personagem de filme ou TV (1%).

O que é mais importante, ter talento ou inteligência emocional?
O mercado de trabalho não procura mais apenas profissionais qualificados tecnicamente, mas também os que possuem competências interpessoais (as chamadas“soft skills”). Essas habilidades, que incluem a inteligência emocional, surgem num momento em que muitas profissões estão vivendo o advento da automatização e os profissionais também são cobrados por um comportamento mais humanizado, pois nem tudo poderá ser substituído por máquinas ou robôs. Um estudo global do LinkedIn feito com mais de 5 mil recrutadores mostra, inclusive, que as soft skills importam tanto ou mais que as competências técnicas, para 92% dos entrevistados. No Brasil, 95% dos profissionais de recursos humanos confirmam a importância das habilidades interpessoais para o futuro do recrutamento. Sendo assim, qualidades técnicas e comportamentais devem sempre andar juntas, são interdependentes.

Você acredita que, no Brasil, o adolescente é estimulado a desenvolver a inteligência emocional para se tornar um líder? O jovem ainda não está 100% preparado, mas acreditamos que muito em breve a tendência é que ele deixe a escola já com muitas das habilidades de um líder desenvolvidas. No ano passado, fizemos um estudo sobre o futuro do trabalho com a consultoria de tendências WGSN. Vimos que, para atender às necessidades dessa geração que ainda não está no mercado de trabalho (a chamada Geração Alpha), algumas escolas e startups de educação já estão adotando estratégias inovadoras. Em primeiro lugar, os educadores estão buscando novas maneiras de preparar estudantes para tecnologias que ainda precisam ser inventadas. Para viabilizar isso, o currículo escolar está incluindo ferramentas e metodologias pouco ortodoxas, como gamification (estratégia de interação que premia as pessoas) e design thinking (conjunto de ideias e insights para abordar problemas), que devem se tornar conceitos educacionais permanentes na grade das escolas. Além disso, a prática de mindfullness (capacidade de se concentrar nas experiências, atividades e sensações do presente) deve passar a integrar a grade de atividades fundamentais, afetando presença e concentração para um melhor aprendizado. Coerentemente com o que o mercado de trabalho tem exigido, a criatividade e a colaboração, duas grandes competências interpessoais, se tornam fundamentais para serem desenvolvidas desde o ensino fundamental. Modelos de aprendizagem estão considerando a saída do ambiente fechado da sala de aula e substituindo os exames tradicionais por vivência e experimentação.

Se o adolescente perceber que escolheu a carreira errada, o que deve fazer?
Num momento em que diversidade e criatividade são características cada vez mais demandadas no mercado, não é incomum encontrarmos profissionais com formações muito diferentes daquela que a função exige. Nesse cenário, fazer um redirecionamento de carreira acontece com mais frequência do que se imagina e é muito bem aceito, quando feito de forma consciente e embasada em oportunidades que foram bem aproveitadas. Pensando em uma história profissional, as mudanças devem fazer sentido e agregar conhecimentos e experiências que diferenciem o profissional. Mentalidade de crescimento e flexibilidade de atuação são duas características que dão versatilidade profissional e, portanto, só têm a somar. O que se deve evitar é ficar “pulando de galho em galho”, pois colocará a capacidade de lidar com as adversidades em questão. Carreira é algo construído passo a passo, logo, deve ter um desenho estratégico. É importante dedicar tempo a isso.

Pode-se fazer um networking prévio para direcionar a tomada de decisão sobre a carreira?
Sim, é possível e deve ser feito. No LinkedIn, por exemplo, contamos com a Central de Aconselhamento Profissional, que aproxima pessoas de uma determinada área e permite que elas aconselhem ou recebam conselho uma vez por semana, dentro da própria plataforma, gratuitamente. Para usar, basta acessar o hub de Central de Aconselhamento Profissional (localizado no campo “Meu Painel”, no perfil pessoal) e inserir as preferências para o tipo de conselho que deseja dar ou receber. O LinkedIn recomenda usuários com base em interesses mútuos e no que sabe sobre o profisional. Ao encontrar uma correspondência, o usuário é alertado e pode enviar uma mensagem para iniciar uma conversa.

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