ENTREVISTA
26/04/2019   
Aureo Villagra - Pensar fora da caixa
“Sempre há uma solução para os conflitos nas empresas, em um País e na vida pessoal, mas é preciso colocar mais poder na habilidade em resolver os problemas do que nos problemas em si”
Aureo Villagra aplica Teoria das Restrições nas empresas - Foto: Divulgação

Aureo Villagra ensina as empresas a agir com simplicidade para resolver crises que parecem não ter saída. O método usado por ele é a Teoria das Restrições (Theory of Constraints – TOC). Villagra é Sócio da Goldratt Consulting e CEO da operação no Brasil e em Portugal.

Qual é o principal objetivo da teoria das restrições?
Se eu tivesse de reduzir a TOC em uma palavra, seria foco. A meta dessa teoria é fazer empresários e executivos concentrarem-se apenas no que tem de ser resolvido, em vez de solucionarem tudo o que pode ser resolvido. É uma maneira de usar a simplicidade para enfrentar problemas complexos. Isso serve tanto para objetivos empresariais como para pessoas. A teoria das restrições estimula processos de raciocínio adequado para a obtenção de resultados mais rápidos. Um dos principais diferenciais da Teoria das Restrições é a focalização, olhar o sistema como um todo e ajustar somente aquilo que precisa ser melhorado.

O método segue a metáfora do Ovo de Colombo?
Sim, é bem isso. Depois que se encontra a solução, todos dizem que ela era óbvia. É da natureza humana tentar tornar as coisas complexas. Tendemos a achar que soluções sofisticadas trazem mais resultados. Mas, de fato, a genialidade sempre vem da simplicidade. Dou o exemplo do drible fantástico que o Pelé fazia de forma muito simples. Depois que ele mostrou como se fazia, pareceu ser óbvio para todos os jogadores, mas ninguém tinha visto essa forma de driblar antes. Então, é preciso entender que simples não quer dizer fácil; simples é profundo, é ver a essência das coisas.

Por que o nome da teoria se refere a restrições?
A princípio, restrição é uma coisa negativa, mas, na verdade, significa olhar o sistema como um todo e entender aquilo que restringe, que bloqueia o crescimento de uma empresa, de um País. Aí, você só toca naquele ponto, só na restrição.

A TOC foi criada em Israel e dá certo em qualquer sistema econômico?
Dá certo no mundo inteiro. Funcionou em empresas do Japão, China, Índia, Estados Unidos, Europa... É um processo de raciocínio que ajuda a pensar, a ver a realidade como ela é, e não como se gostaria que fosse. Cada país tem a sua realidade e, dentro da cultura de cada um, temos de vislumbrar as melhores soluções.

Um case de sucesso.
Foi o da Siemens. Eu era engenheiro na multinacional e li o livro A Meta, no qual o físico Eli Goldratt apresentava a TOC. Logo em seguida, apliquei os conceitos da teoria na linha de produção. Em duas semanas, tive resultados excepcionais: reduzi o tempo de produção de sete para dois dias e os estoques caíram pela metade. Tudo por uma mudança de mentalidade, que ataca os obstáculos ao crescimento.

Qual é o primeiro passo para a mudança de mentalidade?
Quando você acha que tudo é complicado demais, que não vai dar... aí você não chega lá. Tem de pensar diferente e acreditar que uma meta ousada de crescimento pode ser atingida. Aí, uma empresa pode enxergar, por exemplo, que não precisa cortar custos para aumentar a produtividade. Às vezes, basta colocar os itens mais procurados pelos clientes nas gôndolas dos supermercados, o que vai aumentar o giro de estoque, sem mais investimentos.

Onde a Teoria das Restrições pode ser aplicada?
A TOC se aplica em muitas áreas: indústria, varejo, gestão de projetos, governos, hospitais, escolas, vida pessoal. Em todos esses campos, é possível treinar uma maneira de enxergar as coisas com mais foco e também sob uma perspectiva diferente, ou seja, é preciso pensar “fora da caixa”, para definir os passos que devem ser dados para tirar a empresa do sufoco.

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