ENTREVISTA
28/02/2019   
Rubens Furlan
Paixão por Barueri
Rubens Furlan: minha cabeça é a cidade. Não paro | foto: Henrique Vilela

Entrando no vigésimo primeiro ano como prefeito da cidade de Barueri, que também completa, no próximo dia 26, seu aniversário de 70 anos, Furlan comemora as vitórias e os desafios da gestão, declara-se um apaixonado pela cidade e confirma a entrega de muitas obras ainda neste primeiro semestre

Ele assumiu o primeiro mandato como prefeito de Barueri em 1983 e está em seu quinto mandato. São vinte e um anos dedicados ao município, tempo em que sua gestão cresceu, evoluiu e a cidade se destaca como a de maior desenvolvimento econômico e ganhou o título de quinta melhor cidade brasileira para realizar negócios, segundo estudo da Urban Systems. De origem humilde e sem ter medo do trabalho, Furlan já foi vendedor de doces, balconista, jornaleiro, engraxate e taxista. Formou-se pela Faculdade de Direito de Osasco FIEO. É casado com Sônia Dias Furlan e pai de quatro filhos, Priscila, Rubens Junior, Felipe e a deputada federal Bruna Furlan, que já foi filiada ao PMDB e, em 2009, filiou-se ao PSDB. Em entrevista à Viva S/A, o prefeito conta sobre seu amor por Barueri, desafios, novos projetos e obras.

Como avalia seus vinte e um anos como prefeito?
Tenho muita honra em ser prefeito pela quinta vez. Nós mudamos o rumo que a cidade vinha tomando, o que antes acabava sendo um local de depósito de logística, de galpões, agora abriu as portas para tudo. Barueri conseguiu se ampliar e criar uma receita fantástica. As escolas públicas municipais são muito boas, desde o ensino maternal. Na saúde, em breve, teremos 85 consultórios de médicos especialistas. O Centro de Diagnóstico disponibilizará exames de imagens e laboratoriais, desde ressonância magnética e contará com tomógrafos com 200 canais sofisticados, todos de qualidade. É um orgulho para mim.

E quais são os desafios?
Uma coisa vai puxando a outra... de repente, o sistema viário, que era bom, acaba sendo deficitário, em consequência da evolução. Nós temos bons profissionais que prestam excelentes serviços. O papel do prefeito é canalizar tudo isso e estimulá-los a se dedicar cada dia mais. É um desafio diário, é preciso prestar atenção em tudo, até mesmo no comportamento dos secretários. Quando um colaborador não atende a liderança, quebra o elo da engrenagem.

São muitos os índices que destacam o desenvolvimento econômico da cidade, o mais recente é o da Urban System, que indicou Barueri como primeiro lugar na categoria. Qual a receita de Barueri para obter tantos resultados positivos, mesmo diante da crise?
Acho que nós estávamos preparados para a crise. Com a infraestrutura que tínhamos, a cidade foi capaz de suportar, assimilar e crescer nesse período. Lógico que estamos dentro do Brasil... muitos ficaram desempregados. Como é que eu vou combater o desemprego na minha cidade? Não se combate, porque isso tem de vir do governo federal. O que eu posso fazer é a minha parte de brasileiro. A cada vez que eu faço investimentos ou crio serviços, estou gerando emprego. Por exemplo, na construção civil temos hoje mais de 70 obras nas ruas. Eu tenho a convicção de que, diretamente, eu estou gerando 15 mil empregos.

No que se refere à valorização da região, o que poderia destacar?
Antigamente, onde está a Arena, o local era chamado de buraco quente. O índice de criminalidade ali era altíssimo. A Arena veio para revitalizar e agregar valor à aquela região. Foi fantástica a forma com que a cidade evoluiu. E tudo isso com recurso próprio.

Barueri alcançou a quinta posição na colocação geral das melhores cidades para se realizar negócios. O que a prefeitura tem feito para atrair as empresas?
A segurança pública é uma das razões. De acordo com as estatísticas divulgadas pela Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo, Barueri hoje é a cidade que tem menor índice de criminalidade do Estado de São Paulo, lógico que comparada com cidades com mais de 100 mil habitantes. Mas Barueri é uma cidade que, pelo tamanho, por ser da Grande São Paulo, tem um índice de criminalidade muito pequeno. Temos 300 mil habitantes e ocorrem apenas três homicídios para a cada 100 mil habitantes. Outra fator importante é que temos farta oferta de mão-de-obra. Produzimos mão-de-obra especializada com Fatec, Etec, Senai, ITB e etc. É inegável que Barueri continua recebendo diversos empreendimentos imobiliários, que, hoje, diferentemente de outras épocas, também trazem ônus à prefeitura.

Como estão os investimentos na área de mobilidade urbana?
Barueri hoje tem 300 mil pessoas que moram aqui. O nosso cadastro é de 780 mil pessoas. Tem muita gente que não mora, mas utiliza tudo aqui... escola, saúde, etc. Usam o endereço dos outros para fazer o cadastro. Então, se dobrarmos a população e formos um pouco mais rígidos, nós compensaremos. O mais complicado é o sistema viário, que é a mobilidade urbana. Mas, isso tudo está sendo resolvido devagar. Por exemplo, a obra para aliviar o trânsito do Residencial Zero, a Via Parque que foi até Santana de Parnaíba. Os problemas vão surgindo, mas as soluções também. Os projetos nessa área são caros. Não podemos parar com investimentos em mobilidade urbana, isso é importante.

Quando será entregue o viaduto da Araguaia?
Quero inaugurar até maio. É meu sonho. Tivemos muitos problemas a serem solucionados. O projeto caiu em cima do terreno de uma pessoa que entrou em juízo. Aí, parou a obra. Acertamos, e então tivemos que mudar o projeto. A Eletropaulo demorou para aterrar a fiação. Mas agora é a reta final.

Quais as obras serão entregues nestes 70 anos de Barueri?
Entregaremos o Fórum em maio. O Centro de Diagnósticos será entregue no fim de maio ou começo de junho, porque estamos comprando equipamentos que vêm da Alemanha e levam 120 dias para chegarem. Próximo à Secretaria da Mulher, onde a população caminha, vou fazer algo lindo. Já está na minha cabeça. Minha cabeça é a cidade. Não paro. Estou feliz e encantado, porque me considero importante quando consigo fazer coisas boas e significativas para as pessoas da minha cidade.

O senhor se considera otimista?
Muito. Eu sou um enlouquecido pela vida como um todo. Eu gosto de ver as modificações, e eu já vi muitas. Acho que tudo evolui rapidamente e nada pode parar. Nós caminhamos para frente, não paramos. Porque, se pararmos, vão passar por cima de nós. Agora a única coisa que eu gostaria de ver é o Brasil crescer, com uma taxa de 6% ou 7% ao ano. Esse é meu sonho. Se isso acontecer, acabaram nossos problemas, porque estamos acostumados a viver na crise, imagine em uma situação mais confortável.

Top 5