Articulista
Luiz Marins
Empreendedorismo
Luiz Marins
Antropólogo, consultor de empresas, escritor e apresentador de TV
28/06/2018
Lições da greve para a liderança
foto: Divulgação

Segundo a imprensa e as redes sociais, os líderes do governo tinham informações, e foram até mesmo avisados, da crescente insatisfação dos caminhoneiros. Sem levar isso a sério, não tomaram as providências que poderiam ter evitado a greve com suas nefastas consequências para a economia e para toda a população.

Mesmo quando a greve teve início, os líderes do governo acreditaram que poderiam “negociar” e paralisá-la com medidas paliativas que não satisfaziam as demandas reais dos caminhoneiros. A greve continuou e o governo, totalmente acuado, teve de atender a quase todas as reivindicações, pois a situação chegou a tal ponto crítico que o preço, neste caso, seria menor do que o custo da paralisação total do País.

O risco que o Brasil corre agora é o de que outras categorias, insatisfeitas e “ensinadas” pelas conquistas dos caminhoneiros, adotem a mesma postura para ser ouvidas e atendidas.

Que lições podemos tirar dessa greve, para a empresa? E para os líderes empresariais?

Será que, nas empresas, esses fatores que levaram à ruptura, a ações extremadas, à greve, também não estão presentes?

Será que o distanciamento dos líderes, da realidade concreta dos liderados, não acontece também nas empresas?

Será que muitos comportamentos dos líderes não acabam “educando” os liderados a tomar atitudes extremadas para que consigam ser ouvidos e levados a sério?

Como antropólogo e consultor, fico impressionado ao observar que as lideranças esperam a situação chegar ao limite da ruptura para daí ouvir, respeitar, levar a sério e iniciar um diálogo com seus liderados, muitas vezes tarde demais.

Assim, vejo muitos varejistas e prestadores de serviço que só mudam a maneira de atuar quando uma ruptura grave os ameaça - uma reclamação no Procon (Programa de Proteção e Defesa do Consumidor), uma divulgação negativa nas redes sociais ou até mesmo uma perda significativa de clientes. Muitos empresários e dirigentes que só mudam sua postura, muitas vezes arrogante e distante, quando são ameaçados com um movimento paredista, ou quando suas empresas começam a sofrer boicotes internos com consequências econômicas graves. São dirigentes insensíveis, com privilégios e mordomias em descompasso com a realidade da empresa e dos liderados, causando revolta surda entre todos os seus colaboradores. Deixando chegar ao limite da ruptura, a disposição para o diálogo fica comprometida; e o custo de não ter se antecipado aos problemas e enfrentado a realidade com seriedade é dezenas de vezes maior.

Para a liderança, mais importante que a boa intenção é a sensibilidade para perceber a realidade concreta de seus liderados e dessa maneira poder rever conceitos, modificar regras e condutas, e entender de fato sua equipe de colaboradores, formando assim uma parceria mais igualitária. Pense nisso. Sucesso!

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