Articulista
Luiz Marins
Empreendedorismo
Luiz Marins
Antropólogo, consultor de empresas, escritor e apresentador de TV
27/03/2018
Marca é medo

Como diz, com rara sabedoria, o consultor francês Georges Chetochine, o grande capital das empresas no século XXI será a marca. Marca, como o próprio nome diz, é a imagem impressa, marcada na cabeça de um consumidor sobre tal e qual produto ou serviço.

Mas, quanto vale uma marca? O valor é medido pelo quanto ela é capaz de sustentar o preço de um produto ou serviço frente a uma concorrente.

Por que, então, uma pessoa opta por uma, e não por outra marca? A principal resposta é medo! Você compra uma marca de televisor, e não outra, porque você tem medo que a outra não tenha a qualidade da primeira, ou não ofereça a assistência técnica, ou que seja mais frágil, ou por qualquer outra insegurança. Você compra um iogurte de uma marca conhecida, e não a própria de um supermercado, porque você teme que a marca própria não tenha a qualidade da conhecida. Você compra uma marca de veículo, e não outra, porque tem medo que não haja uma rede disponível de assistência técnica, etc. Você vai a determinado restaurante porque tem medo de que, em outro, a refeição seja ruim, mais cara, não tenha estacionamento ou por qualquer outro medo.

O medo vale até para o status. Você usa uma grife de roupa, e não outra, porque teme que o julguem pobre ou brega, se usar uma roupa sem renome. Da mesma forma, usa um relógio de marca famosa porque tem medo que pensem que você está fora de moda, se usar um que seja mais simples. Sempre há um medo por trás da decisão por uma marca! Assim, a primeira coisa que uma empresa precisa fazer é uma análise profunda e séria dos possíveis medos que seus clientes ou pretendentes podem ter em relação à sua marca ou à sua empresa. Por que os clientes poderiam optar por marcas concorrentes? Quais os medos que sua marca deixa na cabeça de um cliente? Será o preço? Qualidade? Localização? Assistência pós-venda? Esse exercício é fundamental e deve ser baseado em alguma pesquisa qualitativa, mesmo que seja a mais informal possível.

O mesmo ocorre com a nossa marca pessoal. Só descobrindo os medos que as outras pessoas podem sentir em relação ao nosso eu é que poderemos mudar de maneira a eliminar nas pessoas o temor de nossa marca. Veja algumas estratégias para persuadir os consumidores a optarem por suas marcas:
• uma das formas de combater o medo é reforçar o oposto do medo no sentido positivo; seguindo essa lógica, mostrar que seu produto é robusto e forte, pode ser usado para combater o medo da fragilidade ou de uma assistência técnica precária;
• as chamadas minorias são um componente importante do mercado. Essas minorias, muitas vezes, são vítimas de inseguranças em relação a marcas e empresas. Assim, negros podem ter receio de ir a um restaurante fino e serem discriminados. Homossexuais podem ter medo de ir a um bar e também serem;
• use estratégias variadas e tire o medo que seu mercado possa ter de confiar em você e na sua marca empresarial e pessoal! Pense nisso. Sucesso!

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