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Luiz Marins
Empreendedorismo
Luiz Marins
Antropólogo, consultor de empresas, escritor e apresentador de TV
30/12/2016
A tirania da perfeição absoluta
Não se curve à tirania da perfeição, nem tampouco seja medíocre. Equilibre-se!
foto: Divulgação

Dois acadêmicos italianos, Gloria Origgi, pesquisadora e filósofa no Instituto Jean Nicod, em Paris, e Diego Gambetta, professor de Sociologia na Universidade de Oxford, na Grã-Bretanha, fizeram um estudo por essa Universidade que chamam de “kakonomia” (kakos em grego clássico significa “mau”, “ruim”, “imperfeito”). A pesquisa nasceu de observar como a vida funciona de forma diferente na Itália em relação a outros países como, por exemplo, Alemanha, França e Reino Unido.

Partiram da constatação de que, na Itália (e talvez seja a realidade do Brasil) muitas vezes os indivíduos agem, conscientemente ou não, para alcançar o menor resultado possível, não se esforçando pela excelência, pela perfeição. E eles dizem que essa aceitação do resultado mais medíocre parece ter relação com o número cada vez maior de pessoas rejeitando o que é percebido como uma tirania da excelência. “Às vezes, toda essa retórica sobre eficiência simplesmente é insuportável. De vez em quando as pessoas gostam de poder relaxar", explica Origgi.

Talvez isso explique a atração exercida pela dolce vita italiana - um estilo de vida mais sossegado. Por outro lado, la dolce vita tem um preço - o sacrifício de padrões de qualidade superiores, dizem os pesquisadores. “Muitos de nós lutam para estar entre os melhores e maiores - mas será que a 'tirania da excelência' não está prejudicando as pessoas?”, indaga a jornalista Manuela Saragosa, da BBC de Londres.

A pergunta, portanto, que temos de responder é como conseguir o equilíbrio entre a busca da perfeição, a excelência, a ausência de mediocridade, o total cumprimento dos deveres e uma vida mentalmente saudá- vel, equilibrada, sem níveis insuportáveis de estresse, inovadora, criativa, em que o erro honesto seja permitido e até incentivado. Muitas vezes, de fato, a exigência do tudo 100 por cento perfeito pode se transformar numa verdadeira tirania desumana e mesmo desnecessária, ao mesmo tempo em que a complacência com o erro, com o descaso, com a permissividade no falhar, pode tornar a vida em sociedade intolerável.

O que fazer? A verdade é que, para resolver esse dilema só nos resta a busca do equilíbrio, por meio do diálogo, da empatia, da generosidade, da verdadeira compaixão, do respeito, enfim, da construção de uma sociedade verdadeiramente alicerçada em valores e princípios humanos elevados.

Abaixo a mediocridade!
Nestes anos finais do século XX, a grande verdade é que ninguém terá o direito de ser medíocre. Medíocre é a pessoa que pensa pequeno. Medíocre é aquele que se economiza. Medíocres são as pessoas que não querem se envolver, comprometer-se. Medíocres são os que só vêm crise e não oportunidades. Medíocre é aquele que não acredita em si próprio e na sua capacidade de vencer obstáculos. Medíocres são pessoas que só falam de desgraças, de doenças. Medíocres são os que ocupam seu tempo falando mal dos outros. Medíocre é aquele que só vê o erro. Medíocre é a pessoa que só pensa em proibir. Medíocres são aqueles que têm medo do sucesso. Medíocres são os arrogantes. Medíocre é o que não aceita críticas. Medíocres são as pessoas que se deixam influenciar facilmente. Medíocres são os invejosos. Medíocres são os cansados, os sem-vontade, os sem-energia.

Pense nisso. Sucesso!

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