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Luiz Marins
Empreendedorismo
Luiz Marins
Antropólogo, consultor de empresas, escritor e apresentador de TV
27/10/2017
Dormir pouco: O mal do século XXI
Os efeitos nocivos da privação do sono no trabalho e na vida
Foto: Divulgação

Estudos modernos de neurociência têm reafirmado os efeitos nocivos e muito graves da falta de sono. Mais de sessenta por cento das pessoas - adultos, adolescentes e jovens - têm dormido menos de oito horas por noite, que é a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS). Os malefícios para a saúde, para a educação, para o trabalho e para a produtividade são imensos e já começam a ser contabilizados.

Em seu livro Why we sleep (Por que dormimos -não traduzido para o português até esta data) o professor e pesquisador da Universidade da Califórnia, Berkeley, Matthew Walker afirma que a privação do sono é um dos mais sérios problemas do século XXI. “Estamos dormindo cada vez menos”, afirma, e as consequências para a nossa saúde e para a sociedade são péssimas em quase todos os campos.

Estudos recentes comprovam que quase todas as doenças do mundo moderno têm como uma de suas mais sérias causas a privação do sono. “Dormir por menos que sete horas por noite é uma receita certa para graves doenças”, comenta o autor. Entre os males relacionados por Walker estão depressão, ansiedade, diabetes, infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e até mesmo o câncer. O alto índice de acidentes no trabalho está diretamente ligado à falta de sono, assim como os acidentes no trânsito que aumentam a cada dia.

Com base nessas pesquisas, empresas americanas e europeias estão exigindo que seus colaboradores assinem um termo de compromisso de dormir, no mínimo, sete horas por noite. A capacidade de inovação, a criatividade, a atenção e a concentração, o bom humor e, principalmente, a memória, dependem fundamentalmente do hábito saudável de dormir, por noite, as oito horas recomendadas.

O assunto é tão grave que grandes universidades e fundações, como a Fundação Luiz Almeida Marins Filho, Fundação Clinton e outras, estão desenvolvendo um sério trabalho para reeducar a população sobre o valor do sono. Dormir pouco já está sendo tratado por governos como um problema de saúde pública. Assim, dormir mais e melhor é fundamental para uma vida saudável, com mais energia, bom humor, motivação e sucesso.

Listei abaixo alguns sintomas e características de quem dorme pouco. Leia com atenção:
• Você reclama de esquecimentos frequentes? • Vive irritado por pequenas coisas?
• Sente-se sempre cansado e se achando sobrecarregado?
• Costuma levar trabalho para casa quase todos os dias?
• Vive plugado em seu smartphone? Sempre dá aquela "última verificada" antes de domir?
• Tem se sentido ansioso demais?
• Estressado?
• Tem dormido o suficiente? Um mínimo de sete horas por noite?
• Tem consciência dos riscos a que a sua saúde física e mental está sujeita por você dormir pouco?

Se você se encaixa em mais de três dessas alternativas, comece a mudar e a procurar dormir mais. Sabemos que o mundo diz que devemos produzir ao máximo - parece que todos estão contra o descanso, como se o sono fosse o vilão. Mas, se você não se der uma boa noite de sono, a sua produção, com certeza, vai começar a cair. Sem contar as doenças que, comprovadamente, a falta de sono pode lhe causar.

Então, desligue-se. Programe, entre todos os seus compromissos diários, o tempo para deitar-se em uma cama macia, confortável e dormir. Não leve seu smartphone com você, deixe-o distante. Marque esse compromisso na sua agenda: mais horas de sono. Permita-se. Presenteie-se. Deite, feche os olhos e durma e logo começará a sentir os benefícios de estar descansado.

Pense nisso. Sucesso! 

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