Articulista
Luiz Marins
Empreendedorismo
Luiz Marins
Antropólogo, consultor de empresas, escritor e apresentador de TV
28/08/2017
Em busca de um propósito no trabalho
O que vejo é a procura de um emprego bem remunerado e estável

De acordo com pesquisas, o maior desejo das pessoas em relação a seu emprego é que o trabalho lhes dê um sentimento de missão e propósito.

O que me preocupa é o fato de essas mesmas pessoas buscarem um trabalho, uma profissão ou um emprego pelo salário ou pela compensação financeira que isso possa lhes dar. Recebo dezenas de mensagens perguntando: "qual a profissão que dá mais dinheiro, que está ‘mais na moda’, ou ainda: qual aquela que ‘me tornará rico (a) mais rapidamente".

Ora, se busco uma profissão pelo retorno financeiro, e não pela realização pessoal que ela me proporcionará, será quase um milagre se as duas coisas se conciliarem na mesma atividade. Noto que as pessoas de hoje, principalmente as mais jovens, não acreditam que o dinheiro seja consequência de um trabalho dedicado, feito com prazer, alegria, amor e comprometimento.

O que vejo é a busca de um emprego bem remunerado e estável, independentemente de qualquer consideração de prazer por aquilo que se faz. A ideia que aparenta existir é a de que, com o dinheiro de um emprego qualquer, desde que bem remunerado, a pessoa buscará (fora do emprego) o seu prazer, a sua realização pessoal. Isso me parece um grande engano!

Agindo assim, as pessoas passam 40 horas (ou mais) fazendo o que não gostam, para tentar, no tempo restante e nos fins de semana, fazer aquilo em que realmente sentem prazer. Isso pode ser uma das maiores razões da infelicidade nos dias de hoje. As pessoas tornam seu trabalho um castigo bem remunerado e, às vezes, nem tão bem, em vez de buscar fazer, no mundo do trabalho, o que lhes dá prazer e alegria.

Fazendo o que não gostam, elas executam tudo com baixa qualidade, atendem mal os seus clientes internos e externos, têm verdadeiro pavor em servir, em compartilhar, vivem estressadas, sentem-se escravizadas pelo relógio ou por um chefe que igualmente está ali somente pelo salário.

Muitos me dirão que é fácil dizer tudo isso, mas que é muito difícil exercer profissionalmente aquilo que se gosta e no que se tem prazer. Sei bem disso, é claro. Penso que as pessoas devem buscar esse objetivo na vida e não desistir antecipadamente. O que sinto é que as pessoas não acreditam mais sequer em buscar fazer aquilo que gostam como objetivo profissional, tanto como empregados como colaboradores de uma empresa, pois, quando falamos em fazer aquilo em que temos prazer, logo pensamos em ser um empreendedor individual ou empresário - e isso nem sempre é possível ou mesmo desejável.

Conheço pessoas muito felizes, trabalhando como funcionários privados ou públicos, no que realmente sentem prazer. Exercendo o que gostam, elas buscam a cada dia apreciar ainda mais o que fazem, e esse círculo virtuoso traz a excelência, a satisfação, o prazer e, como consequência, a tão desejada promoção.

Não podemos nos esquecer do trabalho em equipe. Assisti a uma palestra de um dos mais famosos coaches (técnicos) do time de futebol americano 49ers, de Los Angeles. Ele dizia que o sucesso de qualquer time está na conscientização de seus membros de que as necessidades, compromissos e problemas individuais devem se subordinar aos da equipe. Isso nem sempre é fácil.

Todos temos questões a resolver e ninguém gosta de abrir mão disso em benefício do funcionamento perfeito do coletivo. Ficamos mesmo, às vezes, indignados quando a equipe exige de nós algum comprometimento extra. Mas está aí a razão do sucesso dos vencedores. O mesmo fenômeno parece ocorrer nas empresas.

Hoje, o trabalho está cada vez mais centrado em equipes. Quando temos pessoas que pensam individualisticamente, fica quase impossível obter sucesso. Porém, se quisermos ser uma equipe vencedora, a opção será sempre clara e rápida em favor do grupo.

Pense nisso. Sucesso!

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