Articulista
Luiz Marins
Empreendedorismo
Luiz Marins
Antropólogo, consultor de empresas, escritor e apresentador de TV
26/05/2017
A empresa, a motivação e os dois Brasis
É preciso ter, na vida pessoal e profissional, a mesma conduta ética que queremos para o País
foto: Divulgação

O sociólogo francês Jacques Lambert publicou, na década de 1950, o clássico livro Os dois Brasis, no qual mostrava a existência de um Brasil de muita pobreza convivendo com um outro Brasil de opulência, modernidade e avanço. Anos depois, um economista usou a expressão “Belíndia”, para denominar o Brasil como um misto de Bélgica, desenvolvida, e Índia, com sua pobreza, ainda maior àquela época.

Hoje, ao assistirmos às revelações da Operação Lava Jato, a dimensão dos problemas e da corrupção que têm assolado o nosso País, nos vem à mente novamente a existência de dois Brasis: o dos políticos corruptos e dos empresários corruptores, dos desonestos e mentirosos, dos que se aproveitam da boa fé do povo; e um outro Brasil: o das pessoas que trabalham para manter seus empregos e suas famílias, que pagam impostos elevados e, muitas vezes, injustos; que acordam cedo, que sofrem com a violência de todos os tipos e tudo o mais que têm de enfrentar todos os dias de forma calada e anônima; enfim, um país de pessoas honestas e responsáveis que constroem com muito suor a riqueza desta nação.

Como nos motivar e aos nossos colaboradores numa realidade como essa? A verdade é que, por mais difícil e desmotivadora que seja a situação, não podemos jogar a toalha, desistir da luta. Se somos o Brasil responsável, temos o dever de continuar a responder pelo Brasil que vale a pena. Agora, mais do que nunca, precisamos nos unir— os honestos, os que não fazem parte de falcatruas, os que realmente trabalham, enfim, a grande maioria do povo brasileiro — para que o Brasil não pare, não se deixe vencer por uma minoria desonesta e corrupta.

Na empresa, devemos aprimorar ainda mais a produtividade e a qualidade; cuidar ainda melhor do atendimento aos clientes; ter um relacionamento honesto com fornecedores. Precisamos trabalhar arduamente para que este “nosso” Brasil, que é maioria, vença o outro Brasil contra o qual temos de lutar, civilizadamente, com as armas poderosas da honestidade, do comprometimento e da construção de valores éticos e morais cada vez mais elevados.

Procure a sua motivação
Se nos desmotivarmos e desistirmos, estaremos dando a vitória aos que jamais deverão vencer. Se desanimarmos, seremos nós os maiores perdedores. Justamente agora, a nossa motivação deve ser a de mostrar a todos e a nós mesmos que somos um povo forte e capaz de construir um só País, aquele que queremos e sempre merecemos — o “nosso” Brasil!

Se é verdade que temos corruptos, ladrões, imorais, mentirosos, é também real que existe muita gente honesta, séria, leal, moralmente defensável. Faça nesta semana um esforço para enxergar pessoas honestas, boas, sérias, verdadeiras, que ajudam ao próximo de coração aberto, e não por interesse algum. Tente ver os milhões de anônimos que fazem a água chegar às torneiras, a luz acender, o telefone funcionar, o pão que comemos, e que recolhem o lixo que fazemos.

Talvez você fique surpreso ao encontrar mais pessoas do que imagina e passe a ajudar a limpeza do mundo e do Brasil sendo também um cidadão sério e honesto, para que a exceção vire regra e que a regra seja a verdade, a justiça, a honestidade, o trabalho, os valores morais e éticos de que tanto precisamos. Não desista! Não se deixe desmotivar! Pense nisso. Sucesso!

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