Articulista
Luiz Marins
Empreendedorismo
Luiz Marins
Antropólogo, consultor de empresas, escritor e apresentador de TV
29/05/2019
Eu pensei que estava seguro em meu emprego

"Eu pensei que estava seguro em meu emprego e não estava, fui dispensado! O que aconteceu?”. Ouvi este desabafo de um funcionário demitido após 18 anos de trabalho na mesma empresa.

Passada a comoção da dispensa, ele me disse: “Na verdade, eu me acomodei, achei que estava seguro, que a empresa precisava mais de mim do que eu dela. Rejeitei algumas propostas para mudar de cidade e ajudar o estabelecimento de uma nova filial, protelei um curso de inglês, que meu gerente queria que eu fizesse, tirei férias nos dias em que novos equipamentos foram instalados e perdi o treinamento sobre como operá-los, sem ter me dado conta. Comecei a falar mal da minha empresa (quem observou isso foi a minha mulher), a criticar as novas políticas de qualidade e produtividade. Professor, dancei!”.

Por que isso aconteceu? A razão é o excesso de segurança. Na verdade, a pessoa não fez nada diretamente errado e que tenha motivado a demissão. Uma gota d’água todo dia vai enchendo o copo, até o copo transbordar. Uma palavra, um gesto, um comentário em relação a um fornecedor ou cliente, pode ser essa gota d’água.

Muitas vezes o motivo é que você perdeu o respeito pelos colegas. Isso é muito comum. Você começa a fazer brincadeiras de mau gosto: “o baixinho, o gordo, o careca, o feio, o feioso”. E daí acontece a dispensa. E, quando converso com o chefe ou patrão dessa pessoa, ouço o seguinte comentário: “É, professor, ele era muito bom, foi o melhor funcionário nosso, realmente era uma pessoa espetacular; de repente, não sabemos o que aconteceu com ele”. E são unânimes em dizer: alguma coisa aconteceu, porque ele foi ficando uma pessoa difícil. “Mas, difícil por quê?”, eu pergunto e a resposta é: “ah, professor, pequenas coisas”.

Perguntei para muitos patrões, chefes e executivos, por que dispensar uma pessoa que estava tão segura? Veja algumas respostas que eles me deram:
1.) Arrogância.
2.) Achar-se indispensável. A pessoa pensa que a empresa não sobreviverá sem ela.
3.) Fazer-se de ocupada. Quem começa a se fazer de muito ocupado é porque perdeu a noção de que
não é, por certo, a pessoa mais ocupada do mundo.
4.) Não participar de cursos, treinamentos e palestras que a empresa promove.
5.) Pessoas que cumprem rigorosamente o horário, nenhum minuto a mais, nenhum minuto a menos.
6.) Segurar informações e não passar para os outros.

Pense se você não está se sentindo seguro demais em seu emprego. Acabe com a arrogância, com a postura de ser o dono da verdade. Participe, seja amigo, se comprometa-se, faça tudo com atenção aos detalhes e sempre termine o que começou. Só assim estará realmente seguro.

Pense nisso. Sucesso!

foto: Divulgação

DICA DO MÊS:
A rapidez da mudança e o ciclo de vida curto dos produtos geram uma instabilidade que hoje tem de ser compreendida como parte integrante de nosso cotidiano. Vivemos um constante rompimento com o passado, com a linguagem, com conceitos e modos com que fazemos as coisas. A obra ensina a compreender que hoje não é o maior quem vence o menor, e sim, o mais ágil é quem vence o mais lento.

Título: Só Não Erra Quem Não Faz
Autor: Luiz Marins
Editora: Integrare
Preço: R$49, 90

*Preços pesquisados em abril de 2019

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