Articulista
Cristiana Arcangeli
Marketing & Inovação
Cristiana Arcangeli
Empresária, consultora de beleza e escritora
26/02/2018
O que não lhe falaram sobre inovação
A inovação requer quebra de regras

Você não precisa ser o Bill Gates ou o Steve Jobs para inovar. Não precisa criar a nova Microsoft ou Apple, nem ser a maior empresa no seu segmento, para se destacar em seu mercado e tornar-se um empreendedor bem-sucedido. Mas, uma coisa é certa: é necessário inovar para fazer a diferença e para o negócio dar certo.

Vamos começar quebrando um mito que se criou em torno do tema empreendedorismo-inovação. A reinvenção nem sempre se resume em criar um produto ou negócio mirabolante. O conceito inovar pode, e deve, ser praticado no dia a dia e também em negócios que já estão consolidados. O importante mesmo é mudar, reinventar, fazer diferente.

A observação é um ponto importante para inovar. Costumo viajar quando quero criar. Sento no parque, observo as pessoas passeando, as crianças brincando, analiso o comportamento dos indivíduos no seu dia a dia... caminhando na rua, andando de metrô, entrando e saindo do trabalho.

Esta é uma dica valiosa: andar nas ruas com os olhos nas vitrines e outdoors. Reparo nas bolsas que as mulheres estão carregando, como namorados se comportam nos restaurantes e como as pessoas se vestem. Depois começo a observar os estabelecimentos que estão “bombando”, porque estão fazendo tanto sucesso e o que estão aplicando de diferente.

O processo de observar as pessoas faz parte do meu esquema de inovação, assim que começo o exercício de antecipar tendências. Não há uma explicação técnica, é um processo empírico mesmo! Mas, o que podemos tirar disso é: observar as necessidades e desejos das pessoas é a melhor forma de criar sources (fontes) para problemas que talvez elas nem saibam que têm e muito menos como solucioná-los.

Um erro comum entre os empreendedores é acabar elaborando produtos em torno de um “universo imaginário”. Isso não funciona. A inovação precisa fazer parte do mundo real e resolver problemas reais! Nossas iniciativas devem abranger as pessoas reais. Parece óbvio, não é mesmo? Mas, na prática, nem sempre isso fica tão claro. A palavra e a ação de inovar às vezes dão a impressão de que devemos criar algo mirabolante, e perdemos de vista a realidade do que está fazendo falta, ali, bem na nossa frente.

Devemos pensar em produtos e serviços que resolvam uma necessidade ou um problema. Criar o que o mercado e o consumidor desejam ou precisam, e não fazer o caminho inverso. Seth Godin, pensador de marketing, tem uma frase bem representativa: “Não procure clientes para o seu produto - encontre produtos para os seus clientes”. Esse é o segredo.

Há um belo exemplo de marca que conquistou o sucesso trabalhando com foco no que o cliente precisa e deseja: a Apple. As novidades lançadas no mercado por eles, na época, foram minuciosamente estudadas para priorizar a experiência de seu consumidor. E, hoje, continuam a antecipar, na grande maioria das vezes, tendências e necessidades. A Apple é uma organização que não apenas tem clientes, mas fãs. São os chamados “applemaníacos”. É por isso que conseguem cobrar um preço alto por tecnologia mesmo com concorrência semelhante no mercado. Tudo o que a empresa desenvolve prioriza a experiência do futuro usuário. O maior critério é que as decisões que não contemplam a satisfação e uma necessidade clara do usuário provavelmente estarão erradas.

Já passou o tempo da “inovação como onda”, quando os mercados esperavam tendências para criar produtos ou empresas. Inovar, na era atual, tem de ser todos os dias. A inovação requer “quebra de regras”, e geralmente associamos essa “quebra” a algo novo, quando, na verdade, a reinvenção também é um conceito importante. Portanto, atenção! O “Pulo da Gata” de hoje é: inove pensando no seu público, e não em criar algo extravagante. Lembre-se sempre de se reinventar. Transforme mercados e esteja em eterna transformação. Até a próxima!

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