Articulista
Cristiana Arcangeli
Moda & Beleza
Cristiana Arcangeli
Empresária, consultora de beleza e escritora
26/01/2018
Você precisa mesmo de um investidor?
O investidor não faz caridade, é uma pessoa de negócios

Com o advento das startups, que estão em fase de expansão, muitas dúvidas surgem no processo de como conseguir expandir. De um tempo para cá, tenho respondido perguntas recorrentes como “esse é o melhor caminho, ou há outra forma de fazer minha empresa crescer?” ou “eu preciso buscar um investidor para minha empresa?”

O questionamento é o primeiro passo para que o empreendedor entenda as necessidades do seu negócio. E a primeira pergunta que precisa ser respondida, antes de buscar investimento, é se a empresa está realmente no momento certo de receber um investidor.

Não se pode cair no erro de achar que, só porque a companhia passou por uma primeira fase e precisa crescer, deve receber investimento externo. A melhor hora de buscar um investidor é quando você não necessita só de dinheiro e, principalmente, quando você não precisa desse caixa urgente. Mesmo porque o processo para a entrada de um investidor no seu negócio pode demorar meses.

Lembre-se sempre do ditado popular, “a pressa é inimiga da perfeição”, e não tenha pressa para escolher um investidor. É preciso identificar o tipo correto para o seu negócio e para o seu perfil. Este processo requer tempo e não permite falhas. Vejo empreendedores confundindo a necessidade de gerar caixa com a busca por investidores, e isso é um erro!

Se o maior problema é dinheiro para manter a operação, pense primeiro em melhorar e mudar suas estratégias, melhorar serviços, acelerar vendas, repensar o mix e reduzir custos. Busque alternativas de alavancar sua receita e sua rentabilidade para que o negócio continue sem a necessidade de aporte.

Já foi feito algo semelhante? Pense se não é melhor buscar um pequeno empréstimo de capital de giro, talvez isso seja suficiente para o crescimento que você está objetivando. Caso tudo isso já tenha sido pensado e repensado, e você tem certeza de que é o momento de um investidor, o próximo passo é refletir se o seu negócio tem como oferecer um pay back (retorno) interessante. Afinal, investimento não é doação.

Minha dica é: não se engane! O investidor não faz caridade, é uma pessoa de negócios que investe e quer ter o retorno do seu investimento. No mundo da economia, “investimento” significa a aplicação de capital com a expectativa de um benefício no futuro. O investimento, além de custar uma participação acionária do seu negócio, vem com a responsabilidade de garantir que haja um retorno razoável.

É mais fácil buscar investidores se você não tem track record (trajetória de vendas) ou se o seu negócio está maduro o suficiente para provar que vai dar certo. Simples assim! Entre as mudanças após a entrada do investidor, estão detalhes como, você terá que dividir seu lucro, se reportar a ele sobre tudo o que fizer, compartilhar e acordar sobre seus planos e, o mais importante, gerar resultados. Então, pense bem e reflita, tudo deve ser colocado na balança. A questão fundamental é o estágio da sua startup. Existem casos em que o investimento passa de seis meses ou até mais, com um negócio no radar, olhando, observando de longe, para somente depois começar o processo de negociação.

Analisando pelo lado de quem investe, o ideal é entrar em uma empresa em um estágio minimamente adiantado ou que já tenha, pelo menos, uma validação de que a organização está pronta para se manter e crescer. Enxergo o investimento em empresas como reflexo do amadurecimento do mercado e do processo natural das coisas. Tem um momento certo para acontecer! É importante analisar se realmente está na hora de buscar um investidor, e se você vai ter condições de garantir o retorno necessário. Lembre-se que um sócio na operação não entrará somente com o dinheiro, mas participará das decisões e rumos da empresa. Acompanhe a websérie O Pulo da Gata e confira mais dicas sobre investimentos!

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