Articulista
Cristiana Arcangeli
Moda & Beleza
Cristiana Arcangeli
Empresária, consultora de beleza e escritora
28/08/2017
Liberdade e igualdade mudam Dress Code
A roupa que usamos deve emitir exatamente a mensagem que queremos

O dress code no trabalho está em questão. Até o ano passado, era certo afirmar que a roupa é definida unicamente pelos princípios da empresa, sem levar em consideração a personalidade de cada funcionário.

Antes de comentar as mudanças, é importante saber o que é dress code. Trata-se da expectativa em relação à vestimenta dos convidados em algum evento. É reconhecido e aceito no mundo todo e abrange desde o âmbito social ao profissional.

Hoje, no entanto, não é mais visto dessa forma. Até mesmo os especialistas que prestavam consultoria às empresas estão observando as transformações e apontando uma nova linguagem. "As reivindicações femininas, as questões de gênero e a individualidade estão ajudando a revolucionar os princípios do dress code nas empresas”, salienta Rita Heroína, consultora de imagem e estilo.

Toda essa reflexão mais intensa acerca do tema começou em dezembro de 2015, em Nova Iorque, quando a Comissão de Direitos Humanos proibiu no município a exigência de códigos de vestimenta, modos de se apresentar e uniformes que impusessem regras desiguais para homens e mulheres, baseando-se em sexo ou gênero. Ou seja, caso fosse exigido dos homens o uso de gravatas, as mulheres também deveriam utilizá-las e vice-versa. "Infelizmente, a maioria das exigências de código de vestimenta são direcionadas às mulheres", explica Rita. Talvez por isso tem sido notável a quantidade de situações que colocam em cheque toda essa regulamentação.

E não foi apenas nos Estados Unidos que esse assunto foi discutido. Em maio de 2016, Nicola Thorp foi impedida de trabalhar em uma empresa de Londres, simplesmente por se recusar a usar salto-alto, como exigia o dress code da companhia. Ela iniciou uma petição ao parlamento inglês que levava o título: “Proíbam as empresas de exigir das mulheres o uso de salto-alto no trabalho”. Com ajuda das mídias sociais, conseguiu mais de 100 mil assinaturas e sua reclamação foi aceita pelo poder público.

Evidentemente, o guarda-roupa de trabalho não é igual ao de lazer, nem poderia ser. O bom senso ainda é o melhor termômetro para não exagerar na dose e passar uma imagem pouco profissional.

Apesar de os trajes do ambiente corporativo estarem sendo repensados, ainda não é possível abrir mão de um código. Quando se ingressa em uma empresa nova é preciso, primeiro, identificar o grau de formalidade do local. O ambiente poderá exigir looks mais formais, informais ou até super informais. Isso se não tiver um uniforme, claro.

De acordo com as mudanças que também devem chegar ao Brasil, agora os colaboradores poderão expressar de forma mais livre sua personalidade. E é exatamente aí que entra o consultor de imagem e estilo. "Nosso trabalho é entender a personalidade de um cliente, auxiliar no processo de transição de carreira ou de cargo, destacar o que há de mais interessante e disfarçar ou mudar o que não o deixa satisfeito. Quanto mais nos conhecermos, melhor aparentaremos", ressalta Rita Heroína.

Muitas mulheres que estão voltando ao mercado de trabalho costumam procurar pela consultoria de Rita. "Depois de muito tempo em casa, precisamos voltar com um foco diferente: buscar as cores que nos destacam, que passam mensagem de eficiência e, até mesmo, precisamos renovar o guarda-roupa, deixar de lado as peças que já não combinam mais com o momento atual".

A roupa que usamos deve emitir exatamente a mensagem que queremos. Por exemplo, se um profissional da área de marketing quiser se destacar pela aparência, deve apostar em peças e cores que mostrem essa característica.

Assim como uma juíza ou uma advogada deve refletir em suas roupas e corte de cabelo uma personalidade responsável, centrada.

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