Articulista
Bel Pesce
Caderninho da Bel
Bel Pesce

Empreendedora e Fundadora da FazInova

28/08/2017
Os japoneses são extremamente atentos aos detalhes
Eles valorizam métodos e processos que passam de geração para geração

Desde a infância, o Japão me fascinava. Eu tinha uma grande amiga de descendência japonesa que as vezes passava a tarde na minha casa e sua mãe sempre levava um presentinho e um cartão de agradecimento quando ia buscá-la. Eu achava aquilo tão simpático.

Na faculdade, resolvi fazer aulas de japonês. Eles adotavam uma metodologia bem interessante para ensinar a língua: todo dia tínhamos de memorizar cerca de 20 frases, que eram faladas dentro de uma minipeça de teatro, também sobre a cultura japonesa, e aprendíamos assim. Realizei o sonho de viajar para o Japão no final de 2011. Fiquei lá por uma semana e foi além do suficiente para eu me apaixonar ainda mais pelo país, uma mistura única de modernidade e tradição.

Agora, quase seis anos depois, acabo de passar um segundo período no Japão e quero compartilhar as pequenas grandes coisas que, ao meu olhar, ajudam a fazer do país a economia com o terceiro maior PIB nominal no mundo.

Eles valorizam métodos e processos que passam de geração para geração e há uma grande admiração por aqueles que decidem se dedicar anos a fio para se tornarem mestres em algum tema. No Ryokan (hotel japonês tradicional), onde me hospedei, as escovas de dentes eram de cores diferentes, para que cada pessoa soubesse qual é a sua. Em muitos restaurantes, havia um chinelinho na porta do banheiro, já que a ordem era tirar o sapato na entrada da casa.

Com tudo isso, a entrega é excelente, mas existe também uma cultura de condenação ao erro, de vergonha e de até de suicídio diante de grandes falhas.

Estávamos visitando um museu em Kyoto sobre a história de uma marca de saquê, e um dos integrantes do nosso grupo sentou-se em um local que ele achava ser para isso mesmo, mas não era. Um guarda rapidamente se aproximou, olhou dentro dos olhos dele e perguntou: "você quer ficar conhecido em Kyoto por destruir as nossas tradições? Essa madeira faz parte da história da nossa empresa de saquê". Tudo é levado extremamente a sério, por amor e respeito ao passado e ao futuro do país.

Eles têm uma genialidade relacionada a trabalhar o complexo de forma que pareça simples. Almoçamos em um templo em que todos os itens de uma refeição vegana eram produzidos no próprio local. Parecia de uma delicadeza e simplicidade sem tamanho, mas na
prática isso tornava a refeição ainda mais complexa de ser realizada.

A relação com a natureza, com a essência das coisas e com a capacidade dos materiais traz uma profundidade diferente para situações que, muitas vezes, são comuns para nós. Na tradicional cerimônia do chá, não só é comum que cada participante envie depois uma carta de agradecimento, mas também é costume enviar uma carta de agradecimento àqueles que agradeceram, segundo o nosso mestre do chá contou. E com isso, me levou de volta à infância, e só aumentou minha vontade de passar mais tempo no Japão.

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