Articulista
Bel Pesce
O Futuro que já existe
Bel Pesce

Empreendedora e Fundadora da FazInova

27/07/2017
A China é um grande exemplo de criação e oportunidades
O governo chinês oferece incentivo para o desenvolvimento do empreendedorismo
foto: Divulgação

Neste ano, passei duas semanas imergindo na realidade chinesa e, como essa experiência foi bastante surpreendente, decidi compartilhar com vocês.

Depois de conhecer seis cidades chinesas e Hong Kong, eu poderia resumir a China como um grande exemplo de criação de oportunidades. O fato de ser o País mais populoso do mundo – atualmente, com cerca de um bilhão e quatrocentos milhões de pessoas – faz com que a competição aniquile as barreiras da criatividade. Para que um cidadão chinês conquiste espaço, ele não só precisa dar o seu melhor, mas deve enxergar as possibilidades dentro do mercado. Aqueles que conseguem entram para os cerca de um milhão e trinta e quatro mil milionários chineses.

E eles apostam tudo para chegar lá. A extinta “política do filho único”, que tinha como objetivo o controle da natalidade, deixa vestígios até hoje. Os chineses seguem uma hierarquia em que o primogênito é tido como o futuro da família. Por isso, é comum que os parentes dediquem altas quantias de dinheiro à educação desta criança.

Apesar de ser uma república socialista e ter as informações restritas ao País, os chineses se adaptaram e criaram o seu próprio universo. Desenvolveram o WeChat, um aplicativo que funciona como o WhatsApp e integra serviços que substituem o Facebook e o Instagram. Entre outras funções, por estas ferramentas é possível comprar ingressos, chamar táxis e muito mais.

O uso do QR Code (Código de Resposta Rápida, em tradução livre) também é algo unânime. Para compartilhar contatos, eles apontam a câmera do aparelho para uma tela com o código e ... "voilà"! A maioria dos produtos nas lojas possui QR Codes, para o caso de um cliente estar buscando mais informações sobre determinada mercadoria. Foi criado um sistema de integração em que, ao escanear um código, o usuário é levado a como se estivesse dentro de um aplicativo correspondente no WeChat.

Um exemplo da força deste sistema foi a não sobrevivência do Uber, um dos maiores empreendimentos do mundo. A empresa foi comprada pela Didi Chuxing, companhia de táxis que já operava no País e participava do WeChat, exatamente porque não havia interesse dos usuários em baixar um novo aplicativo apenas para atender a esse serviço.

Pode parecer que o mercado chinês inibe novos modelos, mas o governo oferece incentivo para o
desenvolvimento do País e do empreendedorismo dentro dele. Uma das primeiras cidades que visitei, Shenzhen, me lembrou muito o Vale do Silício. Surgiu há 38 anos e é considerada um centro financeiro. Lá, visitei uma empresa que conquistou o mercado terceirizando produções, como desenhos, planejamentos e produção de diversos produtos. O crescimento foi tão grande que hoje estão sediados em um prédio muito bem avaliado, oferecido pelo governo chinês.

Cheguei para duas ou três reuniões marcadas por dia e terminei a viagem com um saldo de 75 encontros. Os chineses abrem as portas e toda nova conexão é uma oportunidade de fazer negócio.

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