Articulista
Augusto Cury
Inteligência Emocional
Augusto Cury
Psquiatra, psicoterapeuta, cientista e escritor
27/07/2018
Carta aberta, aos pais, gestores e professores de escolas

Tenho discorrido com pais e diretores de instituições educacionais sobre as escolas que, em todo mundo, enfocam as funções cognitivas como a memória, raciocínio, habilidades técnicas, mas pouquíssimas enfatizam a inteligência socioemocional, enfim, as importantíssimas funções não cognitivas, como proteger a emoção, gerir os pensamentos, resiliência, pensar antes de reagir, colocar-se no lugar do outro, trabalhar perdas e frustrações, proatividade, capacidade de se reinventar e de construir relações saudáveis.

Elas são mais complexas do que simples valores, como honestidade e respeitabilidade. São funções vitais para determinar o sucesso emocional, profissional e afetivo dos nossos filhos. São fundamentais para o futuro de uma nação e para o futuro da espécie humana. Mas, onde estão as escolas que ensinam seus alunos a proteger sua emoção e a gerenciar a ansiedade? Onde estão as escolas que os orientam a filtrar estímulos estressantes e a trabalhar perdas e frustrações, que eles vivenciam diariamente, fora e dentro das dependências da própria escola? Essa é uma das minhas críticas à educação mundial em mais de setenta países em que meus livros são publicados.

Ensinamos uma ou mais línguas para nossos filhos e alunos. Algo muito bom! Mas não os ensinamos minimamente as bases do autodiálogo inteligente, para domesticarem seus fantasmas mentais, como seus medos, raiva, ciúmes, impulsividade, timidez, humor depressivo. As crianças e adolescentes aprendem a fazer a higiene bucal a cada quatro a seis horas, mas nunca ouviram falar sobre a necessidade de se fazer a higiene mental. Que tipo de educação é essa? Uma educação que prepara nossos filhos para serem livres, ou para desenvolverem adoecimento psíquico?

Ao longo de mais de trinta anos, desenvolvo conhecimento sobre o processo de formação do Eu como gestor psíquico, os papeis da memória, a proteção da emoção e a formação de pensadores. Essa produção, associada à atividade como psiquiatra e psicoterapeuta, realizando mais de vinte mil sessões, deixou-me convicto de que, sem desenvolver as funções da inteligência socioemocional, os alunos, até mesmo os que têm as melhores notas, podem adoecer ou, no mínimo, contrariar suas habilidades. Nossos filhos estão adoecendo debaixo das nos sas mãos. Pais que agem apenas como manuais de regras de comportamentos, enfim, que desprezam as funções não cognitivas, estão aptos para consertar máquinas, mas não para formar mentes brilhantes e saudáveis. Eles pagam as escolas mais caras para seus filhos, mas não sabem por que estes estão ansiosos, deprimidos, irritadiços, insatisfeitos, precisam de muitos produtos para sentir migalhas de prazer.

Quando você melhora a autoestima e fortalece o Eu como gestor da mente humana, enfim, as funções não cognitivas e as cognitivas também melhoram, até mesmo o aprendizado de matemática; diminui a violência, o bullying, expande a solidariedade, o altruísmo, a segurança e a autonomia.

foto: Divulgação

DICA DO MÊS:
As matrizes em nossa memória geram o cárcere da emoção. O cárcere do medo, da depressão, da ansiedade, do estresse, do ciúme, da dependência psicológica das drogas têm atingido milhões de pessoas. O objetivo deste livro é contribuir para que o leitor expanda sua inteligência, aprenda a navegar nas águas da emoção por compreender alguns pilares da própria inteligência.

Título: Superando o Cárcere da Emoção
Autor: Augusto Cury
Editora: Academia da Inteligência
Preço: R$ 29,90

*Preços pesquisados em junho de 2018

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