Articulista
Augusto Cury
Inteligência Emocional
Augusto Cury
Psquiatra, psicoterapeuta, cientista e escritor
27/06/2017
Coaching e psicoterapia: tão próximos e tão distantes
É preciso treinar o Eu todos os dias para reeditar as janelas da mente 
foto: Divulgação

O único “negócio” que não pode falir é a mente humana. Mas o que se vê é que há pessoas capazes de dirigir uma companhia com milhares de funcionários e, ao mesmo tempo, são incapazes de conduzir com a mínima maturidade a mais complexa das empresas, a que funciona na própria cabeça. Pode ser um multimilionário, empreender e saber ganhar dinheiro como poucos e, ainda assim, não ter alegria e tampouco tranquilidade. Há muitos “falidos mentalmente” que moram em palácios.

Pode ser um intelectual com artigos publicados em todo o mundo, mas não saber ser contrariado, viver ansioso e frustrado, enfim, estar na infância da gestão emocional. Pode ser um médico, um psiquiatra ou um psicólogo que contribui com seus pacientes, mas não sabe filtrar os próprios estímulos estressantes e faz da própria psique uma terra de ninguém.

É nesse território que entra o mais importante e primordial treinamento: o coaching emocional. Educar o Eu para exercer seus papéis vitais como líder da psique; equipar e proteger a emoção para ser saudável, profunda, estável, contemplativa; administrar os pensamentos para aquietar a ansiedade; e libertar a criatividade são alguns dos elementos que constituem essa formação. A gestão da emoção é a base de todos os treinamentos psíquicos: profissional, educacional e interpessoal.

Uma pessoa rígida, impulsiva, tímida, fóbica, pessimista, ansiosa pode bloquear seu desempenho mais do que pode imaginar. A emoção está não somente na base do registro da memória, mas também na abertura ou no fechamento de suas janelas, impedindo o Eu de acessar milhões de dados numa situação estressante, o que compromete o raciocínio global. Treinar e proteger a emoção é fundamental. Mas quem sabe protegê-la? Em que escola os alunos são educados para filtrar estímulos estressantes e poupar os recursos do cérebro?

Há muitas armadilhas em nossa mente. Por ser vítima delas, a grande maioria levará seus conflitos para o túmulo. Todos querem mudar as características doentias de sua personalidade, sem saber que elas são imutáveis. É possível, no entanto, reeditar as janelas da memória ou construir novas plataformas de janelas saudáveis, que chamo de “núcleos de habitação do Eu”. Os segredos da personalidade estão guardados em nossa memória.

Contudo, se treinar seu Eu todos os dias para trabalhar as ferramentas da inteligência socioemocional, como filtrar estímulos estressantes, gerenciar seus pensamentos, colocar-se no lugar dos outros, ter autonomia, terá grande chance de reeditar as janelas “não saudáveis” e construir, ao mesmo tempo, inúmeras outras janelas boas e, desse modo, ter uma plataforma de matrizes saudáveis que serão facilmente acessadas nos focos de tensão. Assim, elas reciclarão sua ansiedade. Mas somente seus desejos e intenções não bastam. Saiba que o “inferno” emocional está cheio de boas intenções. Você precisará treinar seu Eu todos os dias.

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