Articulista
Amaury Jr
Flash
Amaury Jr

Jornalista e apresentador de televisão.

27/04/2018
Entrevista com Ricardo Boechat
foto: Blog do Amaury Jr - Uol

O jornalista, apresentador e radialista já esteve nos principais jornais do país, como O Globo, O Dia, O Estado de S. Paulo e Jornal do Brasil. Foi também diretor de jornalismo na Band, e atualmente trabalha como âncora de dois jornais: nas redes de rádio da BandNews FM e de televisão, a Band do Grupo Bandeirantes de Comunicação. Ganhou três prêmios Esso e tem uma coluna semanal na revista ISTO É.

Muita gente não sabe, mas você não nasceu no Brasil, é isso?
Eu nasci em Buenos Aires, Argentina, em 13 de julho de 1952. Meu pai, no final dos anos de 1940, era professor e foi convidado pelo Itamaraty para integrar um núcleo que fundou o Instituto Cultural Brasil-Argentina. Ele conheceu minha mãe e se casaram. Entre as idas e vindas e trocas de países, tiveram três filhos que nasceram no Uruguai e mais três que nasceram no Brasil.

E você vai muitas vezes à Argentina?
Até os quatro anos eu ia muito a Buenos Aires, porque morava no Uruguai, mas depois só voltei lá com trinta e poucos anos. Buenos Aires é uma maravilha, né? Gosto muito.

Soube que você é apaixonado pelo carro Twingo. Conte-me um pouco sobre esse fato curioso.
O Twingo é um carro de fabricação francesa, compacto, que eu adoro. Já estou com o segundo. É discreto e me atende bem. Acho um despropósito ter um carro enorme para deslocamento trabalho e casa. Para viagens, usamos o carro da minha esposa.

Qual a receita ideal para ser um bom jornalista?
Sempre que estudantes vêm me procurar para entrevista eu atendo, pois sei como é penoso percorrer essa trajetória até chegar a algum ponto na carreira que seja gratificante. E sempre digo que essa é uma profissão cujos salários médios são bem modestos, tem uma competição dilacerante e uma rotatividade imensa. Qualquer jornalista com certo tempo de profissão já passou por oito a dez redações diferentes, e não tem sábado, domingo, não tem férias, não tem feriado... E muitos dizem: poxa, Boechat, você só está falando mal do jornalismo. Então eu digo: agora vem a coisa boa, você nunca vai morrer de tédio. Quando você estiver considerando trilhar esse caminho, pergunte ao seu coração. Se a resposta vem do coração, você consegue ultrapassar esses desafios. Tem de ter curiosidade permanente e compulsiva sobre tudo, gostar de ler é fundamental.

O Brasil está com melhor consciência política?
Sim, sem dúvida. Em todas as categorias, em todas as faixas etárias e sociais. De 2013 para cá, a politica entrou no radar dos brasileiros. O interesse pela política não nos torna um povo politizado, que é ter a cultura política, entretanto é o primeiro passo. Vejo isso como um grande fenômeno nas últimas décadas no Brasil.

Você passou por uma depressão? Como foi?
Em 2015 eu saí de férias com minha família e já não me interessava por nada, queria só ficar na cama. Mas achei que não era nada demais. Depois comecei a ter dificuldades de organizar os pensamentos, de narrar e comecei a escrever textos. Nunca tinha feito isso. Sofria de uma insônia terrível. De repente, eu travei quando acendeu a luz para eu entrar no ar. Fui para o camarim e tive uma crise de choro incontrolável. Minha esposa viu que eu não estava no ar e veio me acudir. Depois comecei os tratamentos com remédios e fui a psiquiatras. Passei duas semanas nas profundezas do inferno. Foi a pior coisa que já me aconteceu. Tenho a exata dimensão disso. É a doença que mais faz vítimas no mundo atualmente e está a caminho de ser a que mais causa ausências no trabalho. Só consegui voltar a falar 15 dias depois, e aí escrevi um texto sobre o que tinha acontecido comigo. Postei no meu Facebook e tive 17 milhões de visualizações. Isso nos dá uma ideia de como esse assunto é sério. E eu ainda vejo muitos por aí achando que é frescura, que estamos fazendo corpo mole.

Outras Matérias
Outros Articulistas
Abril 2018
Os Tubarões dos Negócios