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Amaury Jr
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Amaury Jr

Jornalista e apresentador de televisão.

27/11/2017
A rainha do sertanejo: Roberta Miranda
Perdi minha mãe e dois irmãos e pirei
foto: site RedeTv - Amaury Jr

Roberta Miranda, uma das maiores cantoras brasileiras, já vendeu, imagine você, 22 milhões de discos. Foi ela quem abriu o caminho para que outras mulheres pudessem ingressar na música sertaneja. Em seu novo CD e DVD, de título Os tempos mudaram, ela canta com convidadas como as cantoras Mayara e Maraísa, Simone e Silmaria, Marília Mendonça entre outras estrelas da música sertaneja.

Com trinta anos de carreira, me conta, Roberta: como o título do seu novo trabalho, os tempos mudaram de fato?
Muito. Na época em que comecei, não tínhamos essa forma de trabalhar como hoje. Você tinha de ir de rádio em rádio, fazer show de carro, não tinha avião. Preconceito, então....! Não posso nem falar, quanto preconceito! Na década de 1980 era muito difícil a mulher ingressar no mundo sertanejo. Havia um “comando” de bota e chapéu que não permitia que entrássemos. Era um universo totalmente masculino, e foi um choque quando viram a Roberta Miranda entrar de forma ferrenha, com vendas de um milhão e seissentas mil cópias no primeiro disco. Foi muito difícil eu conseguir me estabelecer.

É verdade que você tem mais de quinhentas músicas? De onde vem a inspiração?
Quando às vezes estou em casa, ou no avião, sem fazer nada. Tenho ainda uma bagagem de mais de duzentas músicas inéditas. A primeira música que compus - A majestade, o sabiá - foi a que me abriu todas as portas. Foi gravada pelo nosso amado Jair Rodrigues. Eu compus e mandei pra Xitãozinho e Xororó e eles não quiseram gravar, alegando que já tinham muitas músicas sobre pássaros. Foi então que o Jair viu a música adorou, gravou e explodiu.

Você ficou um tempo sem gravar. Por quê?
O que aconteceu foi que, no prazo de cinco anos, eu perdi cinquenta por cento da minha família (minha mãe e dois irmãos). Claro que eu pirei, né? Tudo que eu mais amava foi embora. Teve uma época em que eu não aguentava mais ver caixão. Ficou só meu irmão, o Marcelo. Tive síndrome do pânico e parei. A Célia Moratori, minha amiga e empresária, foi supercompreensível, amável e humana. Por que empresário quer o que, né? Quer o dele. A partir do momento em que você não faz mais shows, está descartado. Mas com ela não encontrei isso, encontrei um colo de amiga, de irmã, de mãe. Por isso ela está comigo há 26 anos. Também me chocou demais a morte do cantor Cristiano Araújo, foi um baque. Decidi então dar uma pausa e curtir a vida. Percebi que estava desconectada e precisava me reconectar. Eu me revi, me repaginei, fiz tudo com a minha cabeça e meu coração conectados. Tanto é que durante este ano eu não viajei um dia. Só estou trabalhando nos shows e em novos projetos.

Você está escrevendo um livro autobiográfico?
A história da Roberta Miranda é tão grande que virou um romance. O título do livro é O voo de um sonho. A capa é linda, tem um sabiá em cima. Foi o Ricardo Magalhães quem escreveu. Estamos também com o projeto do filme sobre o livro. Era para estar pronto este ano, só que eu não tive tempo de ajudar com o roteiro. A dificuldade que estão encontrando é de achar alguém com o timbre da minha voz.

Como está a música sertaneja no Brasil?
Esse estilo transita por diversos estilos. Tivemos aí um movimento universitário, deu uma afastada. Hoje, estamos com o “feminejo” (sertanejo feito por mulheres). Todos têm o meu aplauso, mas quem determina o sucesso é o público. Então a música sertaneja está num ótimo momento para o “feminejo” mesmo. O papo é da garotada, o bar, a bebida. Não se tem mais a tolerância feminina, pode notar que, nas letras, as cantoras falam sobre não tolerar mais a traição, nem que mandem nelas.

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