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Amaury Jr
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Amaury Jr

Jornalista e apresentador de televisão.

27/10/2017
Melhores momentos com Hebe Camargo
Hebe foi uma grande pessoa e amiga
Foto: Divulgação

Estive no teatro Procópio Ferreira, onde está em cartaz Hebe, o Musical. Conversei com a atriz Débora Reis, que vive a Hebe nos palcos. Na peça, ela troca de roupa vinte vezes e de peruca, cinco. Muitos figurinos usados por Débora são peças originais da apresentadora, inclusive um casaco que ela comprou junto comigo em Punta Del Este.

Fiquei impressionado com a semelhança da atriz com a apresentadora. Eu conheci bem a Hebe e a entrevistei muitas vezes. Aqui, conto a vocês uma história curiosa sobre a rainha da TV brasileira e também trago alguns trechos de entrevistas que realizei com ela, agora representada nos palcos, no musical que fica em cartaz até dia 17 de dezembro.

No dia da inauguração da televisão no Brasil, em 1950, Hebe havia sido convidada para cantar o Hino da Televisão. Lady-crooner da boate Lord, ela era uma cantora que despontava e balançava corações pela sua beleza e talento. Mas, na última hora, ela mandou dizer que não poderia comparecer. Lolita Rodrigues precisou aprender a melodia e a letra em poucas horas, antes de entrar em cena, convocada às pressas para substituir Hebe, que deu a desculpa de estar resfriada. Desde então, muito se falou sobre as verdadeiras razões dessa ausência. A própria Hebe, numa das agradáveis noitadas de pizzas na casa do Faustão, foi quem me contou a verdade. O resto são versões.

Ela estava apaixonada e nada mudaria seu rumo naquele dia. Luís Ramos era empresário, fazendeiro, criador de cavalos, um sujeito inteligente, divertido, boêmio, irmão do fundador da Folha de S. Paulo, José Nabantino Ramos. Hebe preferiu encontrá-lo, abrindo mão de um momento histórico da comunicação no Brasil. É que os encontros de Hebe e Luís exigiam sempre manobras arriscadas. Luís Ramos não era um passarinho de voo livre. Apesar de separado, tinha uma companheira chamada Manuelita, de cujo relacionamento nasceu uma filha, Tânia. Apaixonou-se por Hebe e cuidava de dar um jeito na situação. Enquanto Lolita cantava o Hino da Televisão, Hebe foi a uma festa das Lojas Assunção, de Raul Guastini, no Teatro Cultura Artística, só para se encontrar com Luís Ramos. Foi a grande paixão da vida de Hebe e o primeiro com quem fez amor, entregando-lhe sua virgindade. Na ocasião, comentei com Hebe como o mundo é sempre pequeno. Um dos filhos do primeiro casamento de Luisão Ramos (era assim que ele era conhecido), Luís Roberto Ramos, havia sido meu sócio em São José do Rio Preto. Juntos, fundamos o Dia e Noite, jornal diário, que deu o que falar. E contei a ela que Luís Roberto com sua mulher Maria Eugênia já tinham me confidenciado essa história, pedindo todas as reservas. Mas disse que só publicaria no dia que ouvisse da sua boca.

Veja agora um trecho de uma entrevista que realizei com a Hebe:

Sua carreira sempre esteve em ascensão. Alguma vez pensou em desistir?
Teve um momento em que eu fiquei depressiva, porque eu tinha programa na TV Tupi, no bairro do Sumaré - eu morava ali atrás, na rua Petrópolis -, e aí recebi um garoto na porta de casa levando uma carta. Quando fui ler o documento, estava escrito “você não precisa mais fazer o programa”. Quer dizer, fui dispensada assim, com um bilhete. Eu fiquei arrasada e pensei: acabou minha carreira! E não acabou.

Para você, qual é o segredo para lidar com adversidades como essa?
Se tivesse ficado deprimida e achado que havia acabado ali, eu não chegaria a lugar algum. Foi uma experiência forte na minha vida. Mas procuro esquecer as coisas ruins, eu só penso coisa boa. Eu sempre digo nos meus programas: gente, pensar em coisa boa, atrai coisa boa. Quem tem pensamentos ruins acaba ficando doente, atraindo doenças horríveis. Por exemplo, assista ao Amaury que ele só apresenta coisa boa, países extraordinários, o nosso Brasil. Já falei e vou repetir, Amaury, você é espetacular.

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