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Amaury Jr
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Amaury Jr

Jornalista e apresentador de televisão.

31/01/2017
Patrícia Marx prepara biografia
A cantora vai contar em sua biografia as cenas de bastidores, fatos de sua vida e os episódios importantes e tensos da carreira, como quando foi vítima de assédio
foto: Reprodução Youtube

Este mês trago a entrevista com a cantora Patrícia Marx, que fez muito sucesso com o grupo Trem da Alegria e que depois seguiu carreira solo. Patrícia vai contar tudo em sua biografia, recheada de fatos fortes, que está escrevendo com o jornalista Marcelo Rodrigues. Vejam os principais trechos desta entrevista.

Você começou muito cedo, e vou tomar como exemplo a Shirley Temple, que também precocemente teve um grande sucesso. Depois de um certo tempo, ela passou a se incomodar muito com esse sucesso pelo fato de ter perdido a infância. Parece-me que você também reclama pelas mesmas razões.
Não reclamo, mas é uma coisa que doamos para o público e ao mesmo tempo é um sacrifício para nós, porque deixamos de viver uma fase importante que está na estrutura do ser humano, que é a infância e a adolescência.

O Trem da Alegria fez muito sucesso. Você tem saudade? Se voltasse atrás, o que corrigiria?
Era bem gostoso. Eu gostava muito de o trabalho ser uma brincadeira, de ser uma coisa descompromissada,
e sem o peso da consciência do que traz tudo. Era muito lúdico. Mais tarde é que a coisa ficou mais séria. Mas, depois que eu saí do Trem, parti para a carreira solo e fiz muito sucesso com algumas músicas em novelas, trabalhei com Nelson Mota, que produziu um álbum meu, depois gravei com outros artistas.

Com Michael Sullivan ..
Gravei músicas dele, do Paulo Massadas, depois gravei com Seu Jorge, Ed Mota... Tem vários caminhos bonitos por aí.
Patrícia Marx prepara biografia

Você tentou fazer uma vaquinha para ter um álbum inteiro e não conseguiu?
Na verdade, aconteceu que fui fazer um financiamento coletivo, o que nos Estados Unidos se usa muito. Todos os grandes artistas fazem isso, chama-se crowdfunding, só que no Brasil isso é muito novo e as pessoas não têm essa mentalidade do coletivo.

O Marcelo Rodrigues está fazendo a sua biografia?
Ele está me ajudando a editar os textos, escrevendo um pouco comigo, porque é muita coisa. Ele é um grande amigo, uma pessoa em quem confio muito.

O que você vai contar na biografia?
Contar a minha vida, muitos fatos como esse do assédio, os bastidores, o que aconteceu desde que eu era pequena até hoje. O que houve comigo foram muitas tentativas [de abusos]. De produtores, diretores, gravadoras, políticos, enfim, de uma série de pessoas do meio. São fatos fortes, importantes e intensos, porém não vou dar nomes aos bois, se não fica muito complicado.

E você agora resolveu voltar [à carreira] com força?
Na verdade, eu nunca parei. Nunca sumi. É que o meu trabalho talvez não se encaixe mais no cenário atual brasileiro, na mídia, porque acho que está tudo muito ruim, a qualidade, o nível das músicas, o nível de programas para nos apresentarmos. É todo um esquema
e sou uma pessoa muito transparente, gosto de verdade. Faço as coisas com qualidade, porque me preocupo com o público e ofereço isso sempre como uma assinatura minha. Existe uma inadequação minha com a nova mídia popular brasileira.

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