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Amaury Jr
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Amaury Jr

Jornalista e apresentador de televisão.

27/09/2017
Mauricio de Souza lança autobiografia
Foto: Youtube Programa Amaury Jr.

Tive o privilégio de conhecer os novos estúdios do grande Mauricio de Souza, desenhista e criador da Turma da Mônica. O espaço ficará tão atraente que será aberto à visitação. O Mauricio deve ser objeto de estudos pelo seu sucesso extraordinário no Brasil. Ele também acaba de lançar o livro Mauricio, a história que não está no gibi, sua biografia, da Editora Sextante.

Sobre o livro, você teve a parceria do jornalista e escritor Luís Colombini. Como foi isso?
Nós conversamos toda segunda-feira durante um ano sobre a minha vida e, como era algo que eu estava planejando, resultou num trabalho que realizamos juntos. Um livro muito gostoso. Ao final, tem meus desenhos mais recentes e isso demonstra o contrário de que muitos pensam, que eu não parei e desenho até hoje. Não posso parar, ou perco a mão

É verdade que, quando você levou seus primeiros desenhos para um editor do jornal Folha da Manhã , ele não gostou?
Ele viu meus desenhos e disse: - “Menino, desista. Desenho não dá futuro para ninguém”. Saí de lá derrotado. Quando passei pela redação da Folha, indo embora cabisbaixo, um jornalista me viu e perguntou: “O que foi?”. Expliquei, e ele quis ver meu desenho. Disse que precisava me aprimorar, mas recomendou que eu entrasse no jornal em qualquer função, para ganhar experiência. E me indicou para a função de copydesk. Aceitei o emprego e continuei desenhando. Depois surgiu uma vaga para ser repórter policial. Eu tinha 18 anos, ser repórter policial era como se fosse um super-herói. Fiquei cinco anos na reportagem e aprendi tudo sobre histórias em quadrinhos, como os americanos faziam para comercializá-las para o mundo todo, etc. Peguei o truque todo, e era o caso somente de adaptar para o mercado brasileiro. Comecei a fazer os quadrinhos nas “tirinhas”, e aí a aceitação começou a melhorar. Três anos depois, eu estava presente em 400 jornais brasileiros.

Na sua biografia recém-lançada você conta que já viu disco-voador. É verdade isso?
Todos me cobram que eu lhe pergunte. Já viu, realmente? No meu livro eu explico como foi. O engraçado é que eu não acredito em disco-voador, mas estou cansado de ver os “bandidos”. De diversas maneiras, com diversos formatos, eu olho e vejo.

A experiência mais marcante foi voltando de Mogi das Cruzes?
Sim, eu vi a nave-mãe. Estava na estrada, vi que vinha uma luz e fui parando o meu carro. Pensei em fotografar, mas ainda tinha de manobrar muita coisa na minha máquina e achei melhor não fazer isto, pois poderia perder alguma imagem. Pensei: - “Ah, vou desenhar, depois transformo em animação”. E aquilo foi se aproximando; tinha o tamanho de umas seis luas-cheias. Era gigantesco. Estava sozinho, infelizmente. Passou rapidamente, deixando um rastro azul clarinho como a chama de um fogão a gás. Vi um rapaz no ponto de ônibus e perguntei: - “Você viu o que passou?” Ele respondeu que sim, e disse: - “Não era um avião, né?” Aí eu fui pro meu carro tranquilo, certo de que não estava ficando louco.

Além do livro com sua autobiografia e o novo estúdio, quais outras novidades?
Estamos nos preparando para publicar novamente, no Japão, a Turma da Mônica Jovem junto com o personagem do Osamu Tezuka, o maior desenhista daquele país. Combinei com ele de lançarmos o trabalho este ano. Ele faleceu, infelizmente, mas o que combinamos estou cumprindo. Tenho planos de lançar a Turma da Mônica Adulta. Estamos apostando ainda no cinema. Vamos lançar, no ano que vem, o longa-metragem com artistas representando a turma da Mônica, em vez dos desenhos. Daqui a dois anos lançaremos a Turma da Mônica Jovem cujos artistas estarão lá em carne e osso. É uma aposta muito entusiasmante.

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