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Amaury Jr
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Amaury Jr

Jornalista e apresentador de televisão.

27/07/2017
Glória Kalil lança "Chic Profissional"
Depois do informal, tem o ‘mega informal’
foto: amauryjr.com.br

A consultora de moda Glória Kalil lançou seu sexto livro. Em Chic Profissional – Circulando e trabalhando no Mundo Globalizado (Companhia das Letras), aborda as transformações ocorridas no mundo do trabalho, auxilia os profissionais a se adequarem a cada atividade, traz dicas de etiqueta e reflete sobre os impactos das redes sociais e da internet sobre o ambiente de corporativo. Durante a entrevista, Glorinha também falou sobre as mudanças impulsionadas pelo mundo digital. Para o livro, você fez uma pesquisa durante dois anos e diversas entrevistas.

O que a levou a fazer esse trabalho?
Foram 92 entrevistas. Eu resolvi focar desta vez no mundo do trabalho. Nada mudou tanto ultimamente do que o panorama profissional. Foi incluída a categoria do "mega informal". Antes, tinha o informal e o formal, e hoje tem o "mega informal". Nos dias atuais, com internet, é possível interagir com um japonês, um árabe, um chinês na sua casa, pela tela do computador. Ele pode se comunicar com você no trabalho. São muitas novidades, culturas diferentes, maneiras de se portar, de comer, de se vestir e de trabalhar. Por isso, quis dar um panorama no trabalho de hoje para ajudar a lidar com essa situação.

Há quem defenda no dia a dia dos escritórios que as pessoas deveriam se vestir sem o paletó, como você encara isso?
Não sou só eu, são também as corporações. O importante é saber como as empresas encaram isso. Há empresas formais e empresas informais. As formais continuam exigindo determinado tipo de roupa e de comportamento, e quem vai trabalhar nessa área tem de se informar sobre o que a espera. Até para saber se é o que ela quer como emprego ou não. Hoje, quando você posta uma fotografia em uma rede social, todo mundo vê e a pessoa que o vai empregar também. Mas serve igualmente para checar se é naquela empresa mesmo que quer trabalhar. Da mesma maneira que a empresa a vê, você pode vê-la também.

Com relação à entrevista, qual a roupa ideal?
Se você está pleiteando um emprego na área formal, vá vestido de acordo com a empresa, para que ela já o veja fazendo parte da equipe; se é uma empresa informal, pode ir dessa maneira. Uma outra coisa, tem muita gente que fica nervoso e transpira. Use, então, uma roupa preta em que o suor não aparece. Os escuros sempre nos salvam das encrencas.

Tem gente que me pergunta ‘mas você acha que estar bem vestida é o suficiente?
Claro que não. Você tem de estar bem vestida, mas ter um currículo que funcione. É o que mostro, uma visão mais clara do que é o mundo do trabalho. Acredito que vai ser útil.

Algumas estrelas têm poder de ir contra essas padronizações, como o Bill Gates, que está sempre informal?
É a estrela. Você pega o Mark Zuckerberg, do Facebook. Dizem que ele tem cem moletons iguais, cinza com capuz, no armário. Mas, no dia de seu casamento e na data de colocar sua empresa na bolsa de valores, ele colocou terno e gravata. O peso das convenções não é brincadeira. Agora, são pessoas poderosas, representam grana, posição, sucesso. Essas pessoas são capazes, sim, de mudar o comportamento da moda e fazer com que a moda informal seja mais aceita.

E essa preocupação se trata apenas do que vestir?
Não é só na área da roupa, na administração das empresas também. Elas têm aceito pessoas de barba, com tatuagem, piercing e consideram desejável que elas estejam presentes para mostrar que são uma corporação moderna. No livro dedico um capítulo inteiro para internet. Desde 1973, temos celular, e até hoje perguntamos como se usa. É algo que digo para nunca fazer, especialmente numa entrevista de emprego: ficar olhando o telefone. Deixe o celular de lado, não o use.

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